O lixo e a sociedade de consumo no Brasil

Enviada em 02/09/2019

A problemática dos lixões assola fortemente a sociedade desde os primórdios da industrialização. O lixo e a sociedade de consumo no Brasil estão diretamente interligados e crescem proporcionalmente, o que tangencia de maneira triste o modelo sustentável de descarte da sujeira revolucionária que advém da aquisição compulsória.

É indubitável que o indivíduo sente-se impelido pelo poder de compra que, por vezes, torna-se um sentimento de dever. Adorno e Horkheimer utilizam o termo ‘‘Indústria cultural’’ para descrever a influência propagandista nos padrões de consumo. Haja vista o caráter efêmero dos produtos e consoante elevação do número de compras, há sempre despejo de materiais. Infortunadamente, fala-se pouco sobre a importância de fazê-lo corretamente. Portanto, essa realidade incide de maneira brusca e impróspera sobre o aumento das consequências da produção de lixo, como no volume dos lixões e em suas influências na desarmonia do meio urbano pela contaminação do solo, da água e pelo aumento das doenças pela atração de vetores.

Ademais, os centros de coleta seletiva de lixo são pouco divulgados e passam despercebidos. Redes de mercado como o VERAN possuem postos de reciclagem em todas as suas unidades em São Paulo. Mesmo assim, os índices de utilização desse recurso caíram 13% nesse estado, de acordo com o G1. Esse decréscimo, que denota a irresponsabilidade do comunicador, deve-se à falta de divulgação e inexigência do Estado pela prática; o que dificulta a compreensão da importância dessa socialmente.

Tendo em vista que a indústria cultural pode ser uma força contrária à sustentabilidade, é necessário repensar a atuação do Estado brasileiro no que entende-se como esclarecimento do despejo responsável. Deve, portanto, instituir a coleta seletiva ao criar propagandas de conscientização dos locais onde encontram-se os postos de coleta, para que o indivíduo possa reconhecer sua obrigação e a facilidade do descarte. Outrossim, deve fornecer mais verba ao pacto federativo, para que possam ser construídos mais postos por meio da intervenção das prefeituras municipais. Assim, além de salientar a prática, a impulsionará e, posteriormente, poderá torná-la uma lei.