O lixo e a sociedade de consumo no Brasil
Enviada em 29/09/2019
Entre tantos desafios enfrentados pela natureza no presente século, o consumismo e seu consequente acúmulo de dejetos é um dos mais recorrentes causados pela humanidade. O crescimento desenfreado do consumo no Brasil tem contribuído para uma produção ainda mais massiva de lixo. Tal fato tem levado a população à preocupação, embora essa preocupação tenha se mostrado insuficiente para que haja uma significativa mudança.
Antes de tudo, vale salientar que o homem, motivado por sua intrínseca necessidade de consumir, tem se mostrado o principal responsável pela situação ambiental não só do Brasil, mas de todo o nosso Planeta. Isso porque, além de poluir a nossa atmosfera, liberando gases tóxicos nocivos à saúde, o acúmulo e o excesso de lixo produzidos também produz o chorume, um líquido tóxico provocado pela decomposição da matéria orgânica, o qual se infiltra no solo, contaminando e inutilizando os lençóis freáticos. Além disso, a mídia não tem tornado as coisas mais fáceis: com suas propagandas de incentivo ao consumo, tem induzido a população à adquirição de novos produtos, fazendo-os cada vez comprar mais, colocando-os sob o poder de um efêmero pensamento de necessidade de tais produtos. Ademais, há ainda o fenômeno da obsolescência programada, no qual as marcas produzem seus itens visando o momento em que os mesmos se tornarão obsoletos, induzindo a população a sempre trocar pelo modelo mais novo e sofisticado. Dessa forma, ao somar a influência exercida nas pessoas pelo mercado e a sua consequente produção de lixo, teremos um resultado que pede mudanças urgentes à realizar.
Roniam Tercosmo afirma que um mundo sustentável só é possível se o consumismo não for sustentado. A partir de tal pensamento, podemos concluir que para consolidar um Brasil sustentável é necessário que o consumismo seja refreado. Dessa forma, é fundamental que o Estado, mais especificamente o Ministério do Meio Ambiente, trabalhe em conjunto com a mídia, no intuito de minimizar as propagandas de incentivo ao consumo desnecessário, apresentando ao público alternativas de reaproveitamento dos produtos já possuídos, estimulando-os a pensar mais de uma vez antes de comprar um novo produto. Além disso, cabe aos governos municipais providenciar coletas seletivas nas cidades, na intenção de reaproveitar e reciclar tudo que for possível. Os governos estaduais, por sua vez, é essencial a criação de unidades de tratamento de lixo em cidades para tratar a matéria orgânica e o chorume, os quais, com os devidos tratamentos, podem ser transformados em adubo e água potável, respectivamente. Dessa forma, haverá um país que, embora longe da perfeição, proporcionará melhores qualidades de vida para todos e, é claro, não agredirá a natureza.