O lixo e a sociedade de consumo no Brasil

Enviada em 02/09/2019

Com o advento da industrialização, a medida que a tecnologia indiciava um progresso da humanidade, o capitalismo se estabelecia como um sistema homogêneo em nível mundial, e o consumismo como primordial no acompanhamento desse avanço. No entanto, o crescimento dessa conduta consumista não é apenas uma questão individual, e sim coletiva, com impactos ambientais e governamentais. Tendo isso em vista, deve-se entender melhor o contexto atual para que os impactos citados sejam amenizados no Brasil.

Antes de tudo, cabe mencionar que a persistência da cultura de consumo no meio é um dos principais expoentes que elevam a suscetibilidade de problemas ambientais e de saúde no Brasil. Acerca dessa premissa, de acordo com o Instituto GEA, a quantidade de lixo chega a 14 quilos diariamente na cidade de São Paulo. Desse modo, é notório que o crescimento de lixo no Brasil é, sobretudo, produto do fortalecimento do apreço consumista contemporâneo, uma vez que, a medida que as demandas populacionais por bens de consumo, principalmente pouco duráveis, se eleva, o ciclo de renovação e descarte das embalagens provindos desses, alimenta, progressivamente, o volume excessivo da questão nos centros urbanos. Portanto, sem que haja práticas que contornem a situação de maneira eficaz, problemas como poluição nas cidades, rios e mares, poderá sequenciar doenças na população.

Ademais, o não fortalecimento de condutas sustentáveis caracteriza-se como fundamental no atraso ao revertimento da temática em discussão. De acordo com o pensamento durkheimiano, a sociedade prevalece sobre o indivíduo, pois quando este nasce, tem de se adaptar às normas já criadas, como leis e costumes. Sob esse viés, a naturalização de práticas insustentáveis, como desperdícios e descartes em locais não propícios, são frutos, essencialmente, do costume social, já inerte, de não atentar-se ao meio ambiente em pequenas atitudes diárias. De maneira a qual, se não houver o fortalecimento da consciência social dos problemas ambientais causados por meio dos próprios atos, a engrenagem da superprodução e acumulação do país será alimentada.

Diante do exposto, é evidente que medidas devem ser tomadas para contornar os impactos do lixo e consumo na sociedade brasileira. Cabe ao Governo Federal, aliado as Organizações não Governamentais (ONG’s), ligadas ao meio ambiente, investir em campanhas de abrangência nacional junto às emissoras de televisão, em que, por meio de eventos culturais e propagandas destinadas à temática, abordem questões relacionadas à sustentabilidade e à coleta seletiva, além da informatização do consumo e descarte consciente, necessárias ao avanço. Desse forma, espera-se que a informação seja imprescindível na regularização no ciclo do lixo e nos malefícios do consumismo inconsciente.