O lixo e a sociedade de consumo no Brasil
Enviada em 04/09/2019
Segundo o físico Isaac Newton, para cada ação há uma reação. Sob essa ótica, observa-se na atual conjuntura brasileira a ocorrência de um processo semelhante ao postulado pelo físico, visto que o processo de Revolução Industrial, que por um lado proporcionou progresso no meio industrial e tecnológico, também trouxe consigo o aumento desenfreado da produção de lixo na sociedade. Nesse sentido, tal problemática é agravada pela instalação do consumismo atrelada a falhas governamentais.
A princípio, cabe ressaltar que o consumismo exagerado é uma das principais razões que colaboram para o aumento da produção de resíduos sólidos. Dentro desse contexto, relaciona-se o conceito de obsolescência programada, que é a constante troca de produtos por suas versões mais atuais, estimulada por propagandas midiáticas que seduzem o consumidor a compra. Logo, a sociedade é atraída pelos bens matérias oferecidos pelas indústrias, instalando assim padrões de consumo exacerbados que se refletem no crescimento da geração de lixo. Dessa forma, conforme dito pela Escola de Frankfurt, esse cenário evidencia o objetivo da indústria: a padronização de consumo para a facilidade de obtenção do lucro.
Por conseguinte, a falta de políticas públicas que busquem solucionar a questão da excessiva produção de lixo caracteriza-se como outro fator que agrava o problema. De acordo com o filósofo Aristóteles, em sua obra “Ética à Nicomanco”, as carências geram mazelas sociais. Nesse viés, é possível relacionar essa premissa ao cenário brasileiro, haja vista que há poucas iniciativas governamentais para a redução da quantidade de resíduos enviados para os aterros sanitários diariamente, bem como programas de incentivo a reciclagem e a mudança de hábitos consumistas por parte da população. Dessa maneira, o acúmulo e produção de lixo continuam a ocorrer, causando prejuízos não só ao meio urbano, mas também a todo ecossistema.
Dado o exposto, medidas são necessárias para reverter a situação. Para a criação de cidadãos mais conscientes dos impactos de seus atos, urge que o Estado, por meio dos diversos meios de comunicação, desenvolva campanhas e propagandas que alertem a sociedade sobre os perigos do consumismo irracional na geração de resíduos sólidos, além de fomentar sobre a importância da prática da coletiva seletiva e do descarte adequado do lixo, com o intuito de despertar o senso crítico sob a questão, motivando uma mudança de hábitos no meio social. Assim, se poderá criar uma reação positiva para a solução do impasse, conforme o preconizado por Newton.