O lixo e a sociedade de consumo no Brasil

Enviada em 06/09/2019

O documentário “A história das coisas” expõe os impactos negativos causados ao meio ambiente em razão do consumo exagerado, o relato se atenta ao processo de produção das mercadorias, que tem como uma de suas etapas a compra decorrente de uma premência inventada. Nesse cenário, é fato que a realidade apresentada pelo curta metragem é um problema vivenciado no atual contexto brasileiro, uma vez que a população se encontra de olhos vendados ao que diz respeito as estratégias capitalistas para fomentar a falsa necessidade de consumo.

A princípio, é importante acentuar que, em função da obsolescência programada por parte das indústrias, a sociedade é cada vez mais, induzida a comprar produtos “atualizados”, estimulando assim um ciclo vicioso de consumismo. No documentário “A conspiração da lâmpada” é retratada a partir de uma investigação, a limitação da vida útil dos produtos por parte dos fabricantes e as suas contribuições para a produção de lixo, que de acordo com o Abrelpe, no Brasil, ultrapassa a marca de 80 milhões de toneladas por ano, dado esse que não é divulgado para o corpo social. Assim as pessoas consomem de forma inconsciente e corroboram para um intenso acúmulo de resíduos, tal qual em “A história das coisas”, dessa forma, fica evidente que o atual modo de produção e consumo baseado nos moldes capitalista gera o consumismo desenfreado.

Por consequência, observa-se a contribuição das indústrias e suas estratégias no desenvolvimento de uma base consumista na sociedade brasileira. Ao utilizar as propagandas como ferramenta de coerção, visando apenas o lucro, ignora-se o fato de estar criando um padrão de consumo baseado em uma necessidade artificial de atualização. De acordo com o Instituto de Defesa do Consumidor (Idec), 81% dos brasileiros trocam de celular em menos de 3 anos, sem antes mesmo recorrer a uma assistência técnica, uma das muitas práticas provindas do conceito de inovação. Diante disso, é indiscutível o alheamento contido na sociedade consumidora brasileira.

Portanto, é mister que o Estado tome providências para resolver o impasse. Para a conscientização da população brasileira em relação as táticas industriais, urge que o Ministério de Educação e Cultura (MEC) crie, por meio de verbas governamentais, campanhas publicitárias que esmiúcem o processo de produção das coisas e alertem as pessoas sobre o destino final dos produtos que elas consomem, incentivando-as a procurar produtos com uma maior vida útil, conservando em suas ideias a alienação existente nas propagandas. Somente assim será possível modificar a posição de paciente de muitos que consomem de forma inconsciente no país, outrossim, retirar as vendas que da mesma forma que o capitalismo instituiu em “A história das coisas”, está compondo  nos cidadãos da sociedade moderna.