O lixo e a sociedade de consumo no Brasil
Enviada em 05/09/2019
A problemática dos lixões assola a sociedade intensamente desde os primórdios da industrialização. No Brasil, com a efemeridade e obsolescência dos produtos, o volume de dejetos cresce com a mesma intensidade do impulso consumista. Uma vez que há baixa divulgação da coleta seletiva, tangencia o modelo sustentável quanto ao descarte da sujeira revolucionaria que advém da aquisição compulsória.
É indubitável que o indivíduo sente-se impelido pelo poder de compra que, por vezes, torna-se um sentimento de dever. Adorno e Horkheimer utilizam o termo ‘‘Indústria cultural’’ para descrever a influência propagandista nos padrões de consumo. Haja vista o caráter efêmero dos produtos e consoante elevação do número de compras, há sempre despejo de materiais. Infortunadamente, fala-se pouco sobre a importância de fazê-lo corretamente. Portanto, essa realidade incide de maneira brusca e impróspera sobre o aumento das consequências da produção de lixo, como no volume dos lixões e em suas influências na desarmonia do meio urbano pela contaminação do solo, da água e pelo aumento das doenças pela atração de vetores.
Ademais, os centros de coleta seletiva de lixo são pouco divulgados e passam despercebidos. Redes de supermercado, como a rede Veran, possuem postos de reciclagem em todas as suas unidades em São Paulo. Mesmo assim, os índices de utilização desse recurso caíram 13% nesse estado, de acordo com o G1. Esse decréscimo, que denota a irresponsabilidade do comunicador, deve-se à falta de divulgação e inexigência do Estado pela prática; o que dificulta a compreensão da importância socioambiental dessa.
É visível, portanto, que a indústria cultural assume uma força contrária à sustentabilidade. Assim sendo, torna-se essencial a intervenção do Estado brasileiro no que entende-se como esclarecimento do despejo sustentável. Em conjunto com as prefeituras municipais, o Estado deve criar projetos de construção de mais postos de coleta seletiva, por meio do fornecimento de mais verba ao pacto federativo para essa função. Outrossim, deve unir-se ao órgão midiático nacional para que possa divulgar os demais postos já existentes no Brasil, com o auxílio de propagandas carismáticas que comuniquem-se de maneira persuasiva com o telespectador. Assim, impulsionarão o uso desse recurso tão importante, podendo, posteriormente, indicá-lo para projeto de lei como exigência do Estado, de forma a perpetuar o seu funcionamento na logística das cidades.