O lixo e a sociedade de consumo no Brasil

Enviada em 28/10/2019

Após a revolução industrial, na metade do século XVIII, o mundo não era mais o mesmo. A industrialização mudou completamente o modo de produzir, tornando-o automatizado e por consequência mais rápido. Entretanto, a produção em demasio tornou os produtos antes com valores exorbitantes mais baratos e acessíveis a população de baixa renda. Porém, o crescimento da indústria e o aumento no consumo não se preocupou com o meio ambiente, acarretando uma excessiva produção de lixo, muitas vezes sem um destino ecologicamente correto.

Em primeiro lugar, é notória a dificuldade que há no homem em resistir ao lançamento de novos produtos, principalmente ao se tratar de algo que oferece uma ilusão de aceitação pelo mundo capitalista. Prova disso é um aumento de 61% nas compras em lojas físicas em 2018, que vinham em queda desde de 2015, segundo dados da PricewaterhouseCoopers (PwC). Também se pode relacionar a obsolescência programada com um aumento do consumo, por se tratar de uma forma de atrair os consumidores a trocar frequentemente os mesmos produtos por uma nova atualização. Desse modo, nota-se que a compra constante de novos itens tem como consequência um aumento elevado no descarte de materiais no meio ambiente.

Além do consumo inerente ao homem, há outros fatores que intensificam o descarte inadequado. Segundo a Pesquisa Nacional de Saneamento Básico (PNSB), realizada em 2008 pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), 50,8% dos municípios possuem como destinação final de seus resíduos os lixões, 22,5% usam aterros controlados e 27,7% usam aterros sanitários. Em outras palavras, lixões são espaços a céu aberto, onde os resíduos são jogados sem qualquer proteção, causando poluição do solo, da água e do ar pelo chorume liberado, já os aterros controlados e sanitários são locais para disposição do lixo, coberto diariamente com terra ou argila para evitar o mal cheiro e a dispersão do chorume, além de ser fiscalizado para impedir a circulação de catadores.

É necessário, pois, que se reverta a mentalidade retrógrada sobre o consumo e do pensamento que depois que o lixo é recolhido o problema está resolvido. Para mudar essa postura o Estado deve vincular campanhas de conscientização, TV e na internet, que informem a população sobre os perigos do acumulo de lixo no local inadequado, as doenças que ele pode acarretar, entre outros assuntos. Além disso o Ministério de Desenvolvimento Regional deve construir aterros sanitários e centros de reciclagem para um descarte correto do lixo. Paralelamente, é fundamental o papel da escola de pregar o consumo consciente e formas de reciclagem por meio de palestras com especialistas nas áreas e trabalhar em sala de aula esses temas com os alunos desde da educação básica.