O lixo e a sociedade de consumo no Brasil
Enviada em 20/10/2019
O vilão agora é outro
Criado no século XX, por Henry Ford, o Fordismo foi o modelo de produção que consolidou o início da sociedade de massa. Naquela época, os danos foram causados pelos grandes estoques de produtos, e atualmente, se configuram não por novas mercadorias, mas sim, pelas usadas e consideradas sem mais utilidades. Dessa forma, a constante influência da indústria cultural, para o consumo em maior escala, somado a um sistema de descarte e reciclagem precários, agrava a situação do que é considerado lixo. Reverter esse quadro em busca de ampliar direitos ambientais- eis a missão de um país sustentável.
É válido considerar, antes de tudo, que o consumo é algo inerente para a humanidade. Impulsionado pelos artifícios da indústria cultural, aliada a obsolescência programada, o consumo se tornou compulsório e demonstração de status social. Porém, o mundo que é descrito por Zygmunt Bauman como um lugar em que nada é feito para durar, apresenta seus primeiros sinais de saturação. Saturação essa, materializada na forma de lixo, seja ele reciclável, orgânico ou eletrônico, que em grande volume, está sendo capaz de poluir as quatro esferas da Terra.
Cabe apontar também, que mesmo abarcado pela Constituição Federal, o sistema de reciclagem brasileira se apresenta como um verdadeiro gargalo ambiental. Dados de uma análise feita pela Associação Brasileira de Empresas de Limpeza Pública e Resíduos Especiais (Abrelpe), em 2014, revelam que o Brasil consome como um país rico e descarta como um pobre. Assim sendo, revela as principais consequências de uma educação ambiental falha e que não reconhece que os benefícios da reciclagem são adquiridos em longo prazo. Bem como, optam por um descarte rápido e ilegal, os lixões- locais em que há vetores de doenças aos seres humanos que o usam como fonte de renda e altamente poluidor.
Fica evidente, portanto, que os efeitos do consumismo precisam ser amenizados para que o lixo deixe de ser um dos vilões da humanidade. Para isso, o Governo Federal deve criar políticas públicas que visem a um descarte correto de produtos, no qual as empresas invistam em rótulos que evidenciem de forma destacada o procedimento mais adequado para o descarte; atitude que será garantida por meio da fiscalização governamental e popular. Somado a isso, a Mídia, por meio de campanhas em horários nobres, e aliada a ONGs, promova campanhas com o intuito de estimular um consumo consciente, à reciclagem como reeducação ambiental e o descarte em aterros sanitários. Afim de que, a realização conjunta dessas ações potencialize o prenúncio de um país não só reconhecido pelo Futebol e Carnaval, mas também, pela sustentabilidade.