O lixo e a sociedade de consumo no Brasil
Enviada em 26/10/2019
A animação Wall-E retrata uma sociedade que vive no espaço devido ao planeta Terra ter sido tomado por lixo e gases tóxicos. Apesar de ser uma ficção, o cenário retratado no longa pode ser associado com um dos maiores problemas contemporâneos: o consumo desenfreado e a produção de lixo, fruto, principalmente, das atividades econômicas do capitalismo e da inabilidade estatal em lidar com a problemática. Diante disso, convém analisar as razões dessa negligência e suas possíveis consequências com o intuito de buscar soluções para o problema.
Em primeiro plano, tem-se o conceito de “Indústria Cultural” proposto pelos filósofos alemães Adorno e Horkheimer. Segundo tais pensadores, a Indústria tende a criar padrões que se repetem com a intenção de formar uma estética ou percepção comum voltada ao consumismo. Nesse sentido, a produção em série e o consumo em massa consolidaram o capitalismo e assim, originaram a obsolência psicológica que induz o indivíduo, influenciado por padrões de consumo, a descartar um produto, mesmo em bom estado, devido à ideia de que esse objeto está tecnologicamente ultrapassado. Fato comprobatório disso é que, infelizmente, segundo um estudo feito pela Associação Brasileira de Limpeza Pública, cada brasileiro gerou cerca de 378 kg de resíduos em 2017, demonstrando uma urgência em educar a população sobre impactos ambientais.
Outrossim, vale ressaltar que a carência de políticas públicas efetivas corroboram para crescentes crises ambientais. Nessa perspectiva, no Brasil, de acordo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, cerca de 78% do lixo recolhido é enviados para aterros sanitários sem fiscalização do Estado e desses, apenas 2% são reciclados. Como resultado, o aumento de doenças, contaminação da água e do solo, além da emissão de gases poluentes -de forma lamentável- são cada vez mais intensos, quadro que, segundo o Biólogo Paulo Jubilut, ameaça a própria sociedade, demonstrando a necessidade de ações mais eficazes do governo para modificar essa realidade.
Diante dos fatos supracitados, para solucionar o problema, urge uma parceria entre Ministério do Meio Ambiente e Ministério da Educação, no qual estes, por meio de projetos com palestras e debates, serão responsáveis por desenvolverem ações, visando mitigar o descarte irregular de lixo, com medidas direcionadas à reutilização e reciclagem de resíduos sólidos, assim, os alunos terão desde a base uma política de proteção ambiental. Ademais, cabe ao Governo Federal ,por meio das Prefeituras Municipais , criar cooperativas de reciclagem em cada município do país, com o objetivo de diminuir, cada vez mais, a destinação do lixo para aterros sanitários e ,consequentemente, os impactos ambientais. Dessa forma, o cenário retratado em Wall-E não correrá risco de se tornar uma realidade.