O lixo e a sociedade de consumo no Brasil

Enviada em 12/09/2019

Tendo em vista que o ser humano é um animal racional consumidor, este busca na alimentação, vestimenta, entre outros, um modo de subsistir na sociedade. Dessa forma, com o advento da Revolução Industrial, os bens antes adquiridos são facilmente descartados e substituídos por novos, o que gera o acúmulo de lixo. No Brasil, o descarte dos entulhos é feito de maneira inadequada, o que afeta na saúde e geração de renda de várias pessoas.

Em primeiro lugar, segundo Lavoisier, na natureza nada se cria, nada se perde, tudo se transforma. Todavia, a coleta seletiva, a qual é obrigação dos municípios efetivar, não é executada em todo o país - de acordo com o estudo Ciclosoft 2016, realizado pelo Compromisso Empresarial para Reciclagem, apenas 18% dos municípios realizam a coleta. Ademais, conforme uma pesquisa do Sindicato Nacional das Empresas de Limpeza Urbana, em parceria com a consultoria PricewaterhouseCoopers, o índice de reciclagem, em 2018, foi de 3,7%. Isso demonstra a omissão do poder público de vários municípios em relação à coleta seletiva, cujas pessoas que dependem da reciclagem para sobreviver são bastante afetadas.

Outrossim, consoante o especialista em saúde pública, Celso Rubio, o resíduo sólido não transmite doenças, mas pode servir de abrigo e alimento para vetores, como o mosquito transmissor da dengue - de acordo com o Ministério da Saúde, em 2019, o número de casos aumentou 149%, em relação à 2018. Além disso, provoca acidentes, principalmente para quem trabalha com reciclagem - devido aos resíduos pérfuro-cortantes. Isso se dá pela falta de políticas públicas para conscientizar a população sobre os riscos do descarte indevido e seu papel para melhorar essa realidade.

Por todos esses aspectos, a fim de diminuir os impasses causados pelo descarte incorreto, é necessário que o Ministério da Saúde elabore campanhas nas redes sociais e TV, com médicos e profissionais de reciclagem, para falar à população sobre os perigos para a saúde pública e, principalmente, dizê-la qual seu protagonismo nessa mudança. Também, a Associação Brasileira de Resíduos Sólidos e Limpeza Pública deve fiscalizar os municípios e multar aqueles que não efetivaram a coleta seletiva, com o intuito de não prejudicar o trabalho dos catadores de recicláveis, e incentivar os cidadãos a separar o lixo de maneira correta.