O lixo e a sociedade de consumo no Brasil

Enviada em 16/09/2019

É possível, por intermédio da linguagem simples e coloquial do poema “No meio do caminho”, de Carlos Drummond, fazer uma analogia a respeito do consumismo e o descarte incorreto de lixo. Acerca de tal análise, pode-se ligar a pedra, presente na obra drummondiana, à crescente repercussão e manifestação da problemática no cotidiano dos brasileiros. Ainda, constata-se que o revés está atrelado não somente à inoperância estatal, mas também a carência de práticas voltadas ao zelo ambiental.

Em primeira análise, pontua-se o desleixo governamental como precursor do agravamento da situação. No livro “Ética a Nicômaco”, Aristóteles, defende que a política serve para garantir o bem-estar dos cidadãos. Porém, o descaso das autoridades públicas em relação à imposição de limites ao ideal publicitário, que visa a formação e o desenvolvimento de uma sociedade consumista, fomenta a atual inadimplência do Estado em solucionar a mazela social. Porquanto, os dados divulgados pelo portal de notícias EXAME, os quais apontam que o Brasil é o país que mais gera lixo eletrônico na América Latina, exemplificam o desdém político-administrativo. Dessa forma, verifica-se a necessidade de uma reformulação nas ações políticosociais, a fim de que o axioma aristotélico retorne ao cerne dos princípios governamentais e os acontecimentos supracitados possam ser mitigados à população.

Outrossim, a ação antrópica contribui para a acentuação da problemática. A 3ª Lei de Newton assegura que para toda ação, há uma reação contrária de mesma intensidade. No contexto do tema apresentado, a ação do homem provoca reações em cadeia que trazem consigo adversidades à sociedade e ao ecossistema. Em síntese, o descarte incorreto de lixo proporciona a formação de problemas ambientais tais como as enchentes, responsáveis por desabrigar inúmeras famílias brasileiras, além de facilitar a proliferação de doenças mortais. Dessa forma, medidas devem ser tomadas com o intuito de reverter essa realidade, para que, consoante a máxima do filósofo alemão Hans Jonas, o homem e o efeito de suas ações não comprometam a vida das futuras gerações.

Logo, para que o triunfo sobre o consumismo e o descarte inapropriado do lixo seja consumado, urge que os deputados, mediante ao embasamento científico e o apoio do Estado, promovam a criação de leis com o objetivo de limitar a exibição de campanhas publicitárias, de modo a desconstruir a cultura do consumo exacerbado implantada na mente da sociedade. Ademais, parte da verba deverá ser aplicada na criação de políticas ambientais nas empresas, com o fito de que boa parte dos produtos comercializados sejam recicláveis, o que por sua vez permitirá o desenvolvimento sustentável. Ainda assim, as prefeituras, com o objetivo de minimizar os problemas advindos do descarte incorreto de lixo, devem criar centros de coleta seletiva. Dessarte, a pedra poderá ser removida do caminho social.