O lixo e a sociedade de consumo no Brasil
Enviada em 12/09/2019
O filme da Disney “Wall-e” conta a história de um robô que vive sozinho no planeta Terra já que toda humanidade, devido ao excesso de poluição e lixo, foi para outro lugar. Nessa perspectiva, fora do espaço cinematográfico, o Brasil enfrenta grandes problemas relacionados ao consumo exacerbado que acarreta em uma grande produção de detritos. Verifica-se, portanto, que a precária educação sobre reciclagem e sustentabilidade somada à pandemia consumista são desafios para vencer esse impasse. Em primeiro lugar, é imprescindível destacar que o modelo de vida da população foi drasticamente modificado após a implantação do modelo taylorista de produção. Logo, a mídia, por meio de seu poder influenciador como as propagandas, fortaleceu a obsolescência programada. Desse modo, em que considera-se a baixa durabilidade dos produtos e suas diversas variações, as pessoas começaram a adquirir objetos de uso momentâneo sem a preocupação com o destino final do produto o que, consequentemente, colabora para o aumento de lixo. Com o fito de comprovar esse comportamento, os dados do Panorama de Resíduos Sólidos mostra que o Brasil produz anualmente cerca de 71,3 milhões de toneladas de detritos urbanos, isso demonstra a urgência de uma mudança de comportamento.
Vale ressaltar, ainda, que a falta de entendimento sobre reciclagem é muito presente na sociedade brasileira apesar de ser um assunto recorrente na mídia. Embora indivíduos escutem sobre a importância dos impactos que o descarte inadequado de lixo pode causar nas cidades, a prevalência de matérias como física e matemática em detrimento de ensinamentos sustentáveis nas escolas - em que visa-se o entendimento sobre os processos de separação de detritos - impede a população de sair da inércia e modificar seu comportamento. Logo, é possível perceber que as lixeiras separadas em shoppings ou espaços públicos não são usadas corretamente, visto que encontra-se vidro no lugar de descarte de lixo orgânico, por exemplo. Ou seja, para que a questão seja resolvida e deixe de ser um trabalho de Sísifo – história mitológica referente ao deus condenado a fazer um trabalho repetitivo, mas sem resultado efetivo – é preciso perceber que a chave esta além do poder governamental e da mídia.
Por isso, é preciso considerar a Educação como ferramenta principal para superar esse impasse. Cabe às escolas, portanto, investir em aulas que ultrapassem a visão conteudista em que objetiva-se, por meio de palestras com profissionais qualificados como geógrafos, mostrar os impactos do descarte inadequado de detritos e como fazê-lo adequadamente mediante a atividades experimentais. Dessa forma, desde a tenra idade, a população saberá separar o lixo e desenvolverá um senso de sustentabilidade que conseguirá frear também os anseios consumistas colaborando para que a realidade não seja semelhante a de “Wall-e”.