O lixo e a sociedade de consumo no Brasil

Enviada em 27/09/2019

O processo de industrialização no Brasil alterou aspectos econômicos e sociais da sociedade. Tendo como base o capitalismo, os indivíduos, que antes produziam para subsistência, agora se veem inseridos em um mercado altamente consumidor. Diante de tal mudança, a quantidade de lixo produzido aumentou em escala exponencial, porém pouco se fez para alterar esse cenário tão preocupante para as gerações. Nesse sentido, o lixo é um desafio devido ao novo modo de vida  capitalista atrelado ao governo mal planejado.

A princípio, é valido destacar a sociedade do consumo como principal produtora do lixo. Segundo Zygmunt Bauman, o “medo líquido” faz com que o homem viva imerso em incertezas e ambiguidades. Nessa busca desenfreada pela felicidade, o consumo exacerbado proporciona uma satisfação momentânea, criando um circulo vicioso de consumo. Dessa forma, o cidadão não raciocina sobre a quantidade de objetos que são descartados diariamente, e nem o seu destino final.

Em segundo lugar, deve-se destacar a ausência de ações governamentais que promovam o controle do lixo. Apesar do aumento dos resíduos, as políticas de coleta continuam estagnadas. A falta de coleta seletiva nas grandes e médias cidades atrelado a escassez de lixeiras em locais públicos colaboram para os problemas urbanos, como as enchentes - em que o lixo entope bueiros, dificultando a saída de água da chuva- e os lixões - que produz chorume, capaz de contaminar o lençol freático, e transmite doenças a animais e trabalhadores. Assim, a omissão desse cuidado altera não só a vida do ser humano, mas também a fauna e flora.

Fica claro, portanto, que medidas devem ser tomadas para solucionar esse cenário. É necessário que ONGs ambientais em parceria com as escolas, em curto prazo, promovam campanhas para toda a comunidade em que demonstre os problemas que o consumismo exacerbado pode causar através de palestras socioeducativas com profissionais da área. Cabe ao Ministério do Meio Ambiente trabalhar em conjunto com os municípios no intuito de proporcionar lixeiras públicas em locais com grande aglomeração humana e aumentar a fiscalização de lixões, punindo os responsáveis por levar os problemas a toda a cadeia do meio ambiente. Quem sabe,assim, poderá ser possível  viver com um capitalismo menos perverso a mãe natureza e ao cidadão consciente.