O lixo e a sociedade de consumo no Brasil
Enviada em 15/09/2019
Apenas teoria
No início do século XX, acontecia no Rio de Janeiro a Cúpula da Terra, popularmente conhecida como Eco-92, em que foram desenvolvidos os 3 R’s da Sustentabilidade: reduzir, reutilizar, reciclar. Todavia, apesar da mudança de século, a gestão do lixo ainda é um problema no país, o que mostra que substancial parcela dos brasileiros é incapaz de entender a relevância dos 3R’s. Com efeito, há de se desconstruir a histórica cultura de indiferença ambiental e a gestão arcaica dos resíduos, sob pena de prejuízos à sustentabilidade nacional.
A princípio, uma das principais causas para a produção exacerbada de lixo pelo consumo é a cultura de exploração e de negligência com o meio ambiente. Nesse viés, a obra “Casa-grande e Senzala”, de Gylberto Freyre, defende que a formação do brasileiro baseou-se na colônia de exploração de recursos naturais e na irresponsabilidade com a terra e com os demais indivíduos. Essa prática de exploração excessiva, denunciada por Freyre, ainda se manifesta nas atitudes imprudentes dos brasileiros que poluem o meio ambiente, por meio do descarte irresponsável de materiais não biodegradáveis, como o plástico comum. Dessa forma, não é razoável que o Brasil almeje tornar-se nação desenvolvida, mas mantenha atitudes típicas da colônia.
De outra parte, a administração retrógrada do lixo representa obstáculo para a sua correta gestão. A esse respeito, o sanitarista Oswaldo Cruz foi nomeado para promover a sanitização urbana no Brasil e, em um primeiro momento, buscou afastar o lixo da população e não tratá-lo de forma eficaz. Ocorre que as autoridades brasileiras mantêm a mesma estratégia arcaica estabelecida por Oswaldo Cruz, tratando com indiferença a destinação correta dos rejeitos, o que se mostra grave problema social e ambiental. Assim, enquanto a sociedade continuar reproduzindo a mesma prática de cem anos atrás, os brasileiros serão obrigados a conviver com um dos mais graves problemas: a poluição ambiental ocasionada pelo lixo.
Para combater a gestão do lixo associado ao consumo inconsciente, as prefeituras, com auxílio do Ministério do Meio Ambiente, devem buscar desconstruir a histórica cultura de indiferença ambiental, por meio de eventos populares -como palestras abertas à comunidade- a fim de mobilizar a população para reduzir o consumo de materiais poluentes, a exemplo de papel e plástico. Ademais, com auxílio dos governadores estaduais, devem promover a triagem adequada -como a separação de lixo orgânico e sintético- por meio de campanhas televisivas, para que a administração dos resíduos deixe de ser arcaica. Dessa forma, as iniciativas propostas na Eco-92 deixarão de ser, no Brasil, apenas teoria.