O lixo e a sociedade de consumo no Brasil

Enviada em 16/09/2019

“Somente quando for cortada a última árvore, poluído o último rio, pescado o último peixe, é que o homem vai perceber que não pode comer dinheiro”. Na declaração feita pelo GreenPeace, uma das maiores ONG’s ambientais, é destacada a relevância da preservação do meio ambiente para a prosperidade dos seres humanos. Nesse contexto, o debate acerca dos impactos do lixo e da sociedade de consumo no Brasil tem se tornado cada vez mais pertinente, e isso se evidencia não só pelos problemas sociais, como também pelo agravamento da poluição do meio ambiente.

É importante atentar-se, em primeira análise, às mudanças sociais advindas do consumismo. Em conformidade com os pensamentos de Zygmunt Bauman, filósofo polonês, as  pessoas tentam ao máximo se adaptar às contínuas mudanças do mundo globalizado hodierno, caso contrário elas se enquadram no conceito de “Refugo Humano”, no qual sofrem um processo de exclusão social. Concomitantemente, muitas empresas fabricam seus produtos com base na obsolescência programada, isto é, vender um produto programado para se tornar obsoleto após certo tempo, a fim de forçar o consumidor a adquirir a nova geração desse mesmo item e não se encaixar no “Refugo Humano” baumaniano, o que gera problemas como a alienação social em consonância com uma produção excessiva e desnecessária de resíduos. Por conseguinte, é evidente a necessidade de conscientizar a população a respeito dessa conjuntura.

Sincronicamente, em segunda análise, são notórios os diversos impactos ambientais decorrentes do descarte inadequado de lixo. Segundo dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), apenas 2% do lixo produzido no Brasil é enviado para programas de reciclagem, o restante é comumente descartado em terrenos a céu aberto, sem qualquer controle, como os lixões. Sob esse ponto de vista, diversos problemas ambientais são provocados por esse descarte impróprio, como a poluição das águas, tanto de rios e mares quanto de lençóis freáticos, dos solos e a liberação de gases do efeito estufa. Nesse sentido, é indubitável a relevância de investir em programas de reciclagem.

Em suma, é mister que providências sejam tomadas para amenizar o quadro atual. Com o intuito de amenizar os impactos ambientais provocados pelo excesso de lixo, urge que o Ministério do Meio Ambiente promova, por meio de verbas governamentais, uma expansão no programa de reciclagem brasileiro, como a construção de novas usinas em locais estratégicos, a fim de reaproveitar esses resíduos. Somente assim, será possível impedir a concretização do cenário apocalíptico exposto pelo GreenPeace, por meio da reutilização do lixo produzido pela sociedade de consumo hodierna, e, dessa forma, garantir o bem-estar social.