O lixo e a sociedade de consumo no Brasil

Enviada em 16/09/2019

O filme Norte-americano “Wall-E” trouxe ao mundo um futuro distópico, em que os indivíduos são obrigados a deixarem o planeta após a produção excessiva de lixo tornar a Terra inabitável. No que se refere à questão dos dejetos na sociedade consumista atual, há uma notória repetição do padrão exposto pelo filme de negligência dos humanos em relação ao seu expressivo desperdício material, assim é possível imaginar um futuro caótico para as nações. Isso não se evidência apenas pela crescente obsolescência programada, como também pela superlotação das cidades. Cabe-se, então, analisar os impactos dessa prática na sociedade brasileira.

Em uma primeira análise, o advento da indústria movida pela lógica fordista de produção em massa, permitiu o amplo crescimento desenfreado da produção. Nessa perspectiva, essa ideia de superprodução aliada ao desejo de alta de lucratividade incitou a formação da obsolescência programada -prazo de validade curto dos produtos de maneira intencional-, sendo assim, há uma maior produção de lixo tecnológico. Esse regime capitalista se aplica em inúmeros países, inclusive no Brasil, pois é da condição humana o desejo insaciável de suas vontades. Schopenhauer, nesse sentido, analisou que o grande desejo por novas aquisições permite que o indivíduo esteja constantemente infeliz, visto que não se satisfaz com facilidade. Dessa forma, há um aumento exponencial da produção de dejetos, movidos pela economia e busca pela satisfação pessoal.

Ademais, vale ainda ressaltar que a urbanização do Brasil não foi planejada, o que levou a uma superlotação das cidades. Nessa conjuntura, a produção de lixo em uma mesma área aumentou proporcionalmente ao crescimento da população, o país conta com Megacidades - municípios que possuem mais de dez mil habitantes- como o Rio de Janeiro e São Paulo. Esse quantitativo produz diariamente toneladas de lixo que, em sua maioria, não possuem destinação adequada. Exemplo disso foi o caso do césio-137, que gerou a maior catástrofe radiológica do Brasil após o descarte inadequado de uma máquina de radioterapia. Sendo assim, observa-se que a tratamento inadequado do lixo pode levar à mortes e consequências inestimáveis para o meio ambiente.

Torna-se evidente, portanto, que é preciso reverter o atual avanço do consumismo no Brasil. Para efetivar esse quadro é preciso que o Ministério Público, aliado ao Legislativo, faça a elaboração de políticas de sustentabilidade eficientes que devem ser seguidas pelos empresários a fim de respeitar a natureza e reduzir o descarte inadequado do lixo, através da punição e fiscalização frequente das indústrias, para que assim haja a superação do modelo capitalista atual. Dessa maneira, construir-se-á uma sociedade em que de fato exista a luta por um futuro diferente daquele apresentado em “Wall-E”.