O lixo e a sociedade de consumo no Brasil

Enviada em 17/09/2019

Enquanto durou seu funcionamento, o “lixão” de Gramacho, localizado na Baixada Fluminense do Rio de Janeiro, alcançou a indesejável condição de maior depósito de lixo a céu aberto da América Latina. A miséria dos moradores das redondezas os levava a sobreviver mediante a coleta de resíduos, o que acarretou diversas doenças a esses, além de ser um símbolo da contradição entre a riqueza de um grupo que consome em proporções homéricas e a dificuldade de subsistência daqueles que estão a sua margem. Nesse sentido, faz-se necessária a análise da criação de uma sociedade de consumo e dos resíduos por ela gerados no Brasil.

Em primeiro lugar, é imperioso destacar que os altos níveis de consumo atuais no Brasil e no mundo são fruto de artifícios do capitalismo. Sob esse viés, Marx afrima que a “fetichização” da mercadoria, isto é, a supervalorização dos produtos como modo de realização pessoal, induzida pela propaganda, gera uma sociedade dependente da compra para a manutenção do ego. Desse modo, os danos causados por tais hábitos reprodutores do capital ferem o princípio da responsabilidade de Hans Jonas, que estipula que as ações humanas presentes devem garantir recursos para as próximas gerações.   Ademais, vale ressaltar que o lixo aumenta junto à crescente capacidade de produção e aquisição nacional, o que gera problemas. Segundo o Ministério do Meio Ambiente, mais de 70% dos detritos são depositados em lixões no Brasil. Como consequência da falta de infraestrutura desses locais o chorume, líquido ácido derivado dos resíduos, contamina o solo e os lençóis freáticos da região. Além disso, vetores de doenças como ratos e insetos são atraídos, o que prejudica a saúde da população local.

Portanto, devem-se tomar medidas que minimizem essa problemática. Urge, então, que os governos municipais, responsáveis pelo recolhimento do lixo, intensifiquem o processo de coleta seletiva em suas localidades. Isso pode ser feito por meio da concessão de verbas públicas a Organizações Não Governamentais (ONGs) e incentivos fiscais a empresas especializadas nesse tipo de trabalho, com o fito de reduzir o descarte em lixões e reaproveitar materiais. É dever também do Ministério da Educação criar anúncios em redes sociais que alertem aos usuários sobre os efeitos destrutivos do consumismo. Dessarte, o princípio de Hans Jonas será seguido.