O lixo e a sociedade de consumo no Brasil

Enviada em 18/09/2019

A obra “Lixo Luxo”, Augusto de Campos retrata a palavra “lixo” sendo formada por diversas palavras “luxo”. O poema foca no sentido profundo das palavras, servindo de crítica como crítica social ao setor econômico da época: o capitalismo. Vê-se, nesse sentido, um conflito existente ainda hoje, sobretudo no hodierno Brasil, em relação ao “lixo”: o aumento de resíduos produzidos especialmente nas grandes cidades, decorrente do “luxo”, representado pela busca, na sociedade moderna, pelo status social, ou seja, o “luxo” gera o “lixo”. Nesse viés, é indubitável analisar como o ideal capitalista aliado ao baixo tratamento e reaproveitamento dos resíduos corroboram para a consolidação dessa mazela social.

É imperioso destacar, em primeiro lugar, que a sociedade de consumo vigente é herança do avanço da produção capitalista. Isso porque suas raízes estão vinculadas a Revolução Industrial, mas a emergência do “American Way Of Life” - estilo de vida americano no qual a felicidade é conquistada por meio do consumo de produtos industrializados - intensificou essa problemática. Haja vista que a cultura norte americana passou a integrar outras cultura, no Brasil, esse consumo exagerado leva - de acordo com o levantamento do “Bom Dia São Paulo” - a produção, somente na capital paulista, de mais de 12 mil toneladas de lixo domiciliar todos os dias.

Somado ao ideal capitalista, é relevante enfatizar que a partir do momento que o lixo é coletado a sociedade não se preocupar com a destinação final desse material. Isso ocorre, pois ela não possui dimensão do problema que isso representa, uma vez que com a coleta pública de resíduos, que na maioria das cidades ocorre, no mínimo, três vezes por semana, é simples conviver com essa realidade. Entretando, do volume produzido em 2016, quase 30 milhões de toneladas não tiveram a destinação adequada - 41% do total de resíduos gerado. Nessa conjuntura, apesar da possibilidade de reciclagem encontrada nós resíduos sólidos urbanos - com o papel, o vidro, os plásticos e o metal -, além de, serem transformados em um grande problema ambiente - como a poluição de rios, mares e oceanos - podem impedir o escoamento da água - contribuindo para as enchentes.

Torna-se evidente, portanto, a necessidade de conscientização ambiental por incrementos de reforço governamentais. Em razão disso, urge que o Estado, pressionado por ONGs como a “ABIPET”, crie um programa de nome “Do lixo ao Luxo”, por meio de uma PEC - Proposta de Emenda Constitucional. É mister, assim, que esse programa não só fiscalize as condutas incorretas, mas também incentive e ensine a população - em oficinas de reciclagem nas escolas e universidades públicas - com a finalidade de reduzir o lixo gerado pela cultura capitalista e em prol de tornar os indivíduos mais aptos a construção de seu processo de cidadania no que diz respeito ao trato e descarte do lixo.