O lixo e a sociedade de consumo no Brasil

Enviada em 24/09/2019

Em “Wall-E”, uma animação da Disney Pixar, a humanidade foi obrigada a abandonar o planeta como após transformarem-o em um verdadeiro lixão, deixando uma leva de robôs para eliminarem toda a sujeira acumulada. Ao longo da narrativa, é mostrado que, entre estes, o protagonista é o único remanescente, lutando para completar sua missão. Fora da ficção, a sociedade brasileira também é ameaçada pela sua excessiva produção de resíduos por conta da consolidação de uma cultura consumista, a qual é um reflexo do fenômeno da globalização. De tal maneira, é imprescindível encontrar caminhos para amenizar a situação em questão.

Primordialmente, convém investigar a natureza deste comportamento destrutivo, uma vez que, por estarem movidas pela necessidade de consumir, as pessoas não consideram os possíveis danos causados por seus hábitos. Nesse sentido, é relevante mencionar o sociólogo Zygmunt Bauman, que discursa sob o homem contemporâneo considerar o ato de adquirir bens como essencial para sua existência. Dessa forma, ele passa a associar a aquisição desnecessária e impulsiva de produtos à sua felicidade.

Outrossim, o aumento da produção gerada pelo consumismo é extremamente prejudicial ao meio ambiente. Consoante a isso, como estabelecido pela lei de Lavoisier sobre a conservação em massa: na natureza nada se cria, nada se perde, tudo se transforma. Nessa perspectiva, o acúmulo de detritos é inevitável dentro de um país caracterizado por um ciclo de consumo vicioso, pois além da exploração dos recursos naturais durante o processo de fabricação, o ecossistema é poluído pelo rápido descarte dos itens, o qual ocorre de forma inadequada pela falta de incentivo governamental.

Em virtude do que foi mencionado, é evidente que o quadro atual carece de mudanças imediatas. Para que o lixo produzido pelos brasileiros tenha a destinação correta e seja menos prejudicial para o planeta, urge que o Governo Federal, em parceria com Organizações Não Governamentais (ONG’s) voltadas à questões ambientais, crie, por meio de verbas governamentais, campanhas publicitárias. Essas devem ser veiculadas nas redes sociais e nas grandes emissoras nacionais, incentivando a adesão do interlocutor a prática dos “três erres”, a qual consiste em reciclar, reutilizar e reduzir. Somente assim será possível garantir que o futuro distópico retratado no filme “Wall-E” permaneça fictíco.