O lixo e a sociedade de consumo no Brasil
Enviada em 27/09/2019
A Revolução Industrial atrelada à ascensão do capitalismo modificou as relações de consumo em escala mundial. Nesse cenário, caracterizado por Zygmunt Bauman como “modernidade líquida”, os produtos são rapidamente descartados e substituídos. Assim, tendo em vista as consequências sociais e ambientais do consumismo desenfreado, é indispensável a criação de medidas que reduzam a produção de lixo no Brasil.
Primeiramente, cabe ressaltar que, segundo pesquisa realizada em 2018 pelo Instituto de Defesa do Consumidor, muitos fornecedores utilizam a obsolescência programada com o intuito de reduzir o tempo de vida de um produto. Desse modo, diante de um curto período, a mercadoria passa a ter altos custos de manutenção, rápida perda de funcionamento e incompatibilidade tecnológica. Consequentemente, o consumidor é pressionado a substituir o produto por outro mais moderno. Nesse sentido, além de interferir financeiramente na renda da população, a descartabilidade também prejudica o meio ambiente, pois nem todos os materiais são reciclados, de modo a se acumularem. Sob essa ótica, trata-se de uma grave problemática que merece ser solucionada.
Ademais, de acordo com a Associação de Defesa do Meio Ambiente, o Brasil está entre os 10 países que mais produzem lixo. Dessa forma, esse quadro é preocupante, haja vista que os recursos naturais são finitos e a sua constante retirada como matéria-prima pode causar a exaustão. Destarte, os resíduos inorgânicos afetam a qualidade do ar, do solo e dos lençóis freáticos. Como resultado da formação de rejeitos, o ser humano pode ser afetado por problemas respiratórios, intoxicações, doenças cardíacas e danos ao sistema nervoso. Dessa maneira, nota-se que manter o equilibro ecossistêmico é vital tanto para a natureza, como para a saúde humana.
Portanto, para reduzir a produção de lixo, é crucial que haja uma educação ecossistêmica desde a infância. Logo, o Governo precisa implementar no projeto político pedagógico das escolas, em âmbito nacional, medidas que auxiliem o aluno a desenvolver a sustentabilidade. Para tanto, haverá uma integração multidisciplinar. Nessa instância, a aula de biologia deve explanar sobre os efeitos nocivos do consumismo para a natureza. Em conformidade, a disciplina de química abordará a respeito das reações químicas geradas pelo lixo. Em concomitância, o professor de sociologia irá discutir sobre as crenças sociais envoltas no ato do consumo e sua relação ao longo do tempo. À vista disso, espera-se que a sociedade utilize os recursos ambientais de modo responsável, de forma a produzir menos rejeitos.