O lixo e a sociedade de consumo no Brasil

Enviada em 27/09/2019

Consoante o sociólogo Pierre Bordieu, o que é criado para ser instrumento de democracia não deve ser convertido em mecanismo de opressão. Posto isso, propagandas midiáticas e a indústria alimentícia estão intrinsecamente ligadas ao consumo e a produção de lixo na sociedade brasileira. Nesse sentido, faz-se necessária a reversibilidade do cenário em questão.

Em primeiro lugar, a sociedade é impulsionada pela mídia propagandista a consumir para preencher vazios emocionais. Segundo o filósofo Zygmunt Bauman, a modernidade vivencia uma denominada liquidez nas relações, no qual laços afetivos são substituídos por coisas materiais e fúteis. Dessa forma, na intenção de preencher essas carências a sociedade tem consumido em excessos e consequentemente, aumentado a produção de lixo. Logo, é notório o efeito opressor dessa nova configuração social em que o material substituí o afeto.

Em segundo lugar, a Indústria Alimentícia e as redes de “Fast Food” também são grandes responsáveis pelo aumento da produção de lixo. Sendo assim, os indivíduos ao comprarem um combo de lanche em uma rede “Fast Food” são incumbidos de materiais descartáveis em uma única refeição, por exemplo: copos, canudos, guardanapos e sacolas. Outrossim, soma-se a isso os alimentos consumidos diariamente que são envoltos em mais materiais que tornam-se resíduos. Portanto, é perceptível a responsabilidade da indústria na criação de lixo.

Dado o exposto, para que a democracia não seja convertida em opressão, é necessário que a Mídia concomitantemente ao Ministério do Meio Ambiente intervenham na problemática. Nessa perspectiva, essas ações devem visar a regulamentação de políticas de diminuição de produção de lixo por parte da Indústria Alimentícia, através da divulgação na Mídia das empresas que mais poluem. Além disso, a Mídia deve introduzir propagandas informativas acerca do impacto do consumo. Assim, a sociedade terá condições de reverter a situação.