O lixo e a sociedade de consumo no Brasil
Enviada em 29/09/2019
Na obra “Admirável Mundo Novo” de Aldous Huxley, é retratada a prevalecência de uma sociedade consumista, estimulada pelo governo a descartar tudo aquilo considerado ultrapassado. Não distante da ficção, hodiernamente, no Brasil há predomínio de uma cultura capitalista marcada pela necessidade de aceitação social, conforme a posse de bens de elevado valor econômico. Destarte, o consumo exacerbado e o descarte rápido de tais produtos gera uma elevada produção de lixo, a qual provoca danos maléficos ao desenvolvimento econômico sustentável da nação.
Em primeiro plano, é notório que a população brasileira encontra-se pressionada a obter bens como forma de possuir prestígio social. Segundo o sociólogo Émile Durkheim, fato social é uma maneira coletiva de agir e de pensar, dotada de exterioridade, generalidade e coercitividade. Sob esse viés, observa-se que o consumismo é visto como modo de uma classe se sobrepor à outra, por meio da exposição de posse de produtos mais modernos. Dessa forma, os fundamentos do fato social configuram-se de modo a fomentar o consumo massivo.
Outrossim, tal prática contribui para a aceleração dos problemas socioambientais causados pela superprodução de lixo. Durante os séculos XIV e XV, a Peste Negra assolou a Europa Ocidental, em virtude do precário saneamento básico e descarte inadequado do lixo nas vias urbanas, fator esse que promoveu o aumento da presença do vetor da doença. Em vista disso, é perceptível que a quantidade elevada desses resíduos pode promover o surgimento de epidemias no país e, por conseguinte, uma crise de saúde pública, além dos prejuízos gerados ao espaço natural do solo e mananciais, uma vez que o lixo libera componentes tóxicos a esses ambientes.
Com o intuito de amenizar essa problemática, urge que o Superministério da Cidadania promova a divulgação de campanhas acerca da importância de se reduzir o consumo desenfreado, a fim de estimular a criação de uma consciência coletiva sobre a não necessidade de depender dos bens materiais como forma de obtenção de prestígio social, reduzindo assim o consumo irracional e massivo. Ademais, seria viável que o Superministério do Desenvolvimento Regional investisse na construção de aterros sanitários que possibilitem o descarte adequado do lixo, previamente recolhido pelo processo seletivo de materiais, com o propósito de diminuir impactos ambientais. Por fim, é imprescindível que o Ministério da Educação instrua os docentes do ensino básico a propagarem durante as aulas sobre o valor de se adotar práticas cotidianas de redução, reciclagem e reutilização de produtos, a fim de criar uma geração com a mentalidade de preservação do espaço em que vive.