O lixo e a sociedade de consumo no Brasil

Enviada em 04/10/2019

Em um futuro distópico, a superfície terrestre está soterrada de lixo. Os seres humanos tiveram que se refugiar em espaçonaves para continuar a existir em seu modo consumista de vida. Na Terra, há séculos, resta apenas um robô com a tarefa inesgotável de eliminar o material deixado pelas civilizações. Esse pesadelo é o contexto de WALL-E, uma animação da Disney. A sociedade contemporânea impõe a mentalidade consumista e inconsciente aos indivíduos. Em virtude disso, percebe-se a progressiva produção de lixo, que põe em cheque o meio ambiente. É oportuno, então, analisar como esse processo ocorre, bem como propor medidas para reverter esse quadro.

A princípio, conforme exposto no livro “Vida para consumo”, Zygmunt Bauman afirma que e sociedade contemporânea é constituída essencialmente por consumidores. Os indivíduos se identificam e ocupam posições na escala social de acordo com seu poder aquisitivo, sua capacidade para consumir. Por sua vez, o mercado oferece novos produtos para consumo, que logo se tornarão artificialmente obsoletos. Na ânsia por pertencer a um grupo, o indivíduo adquire itens que não necessita, sem considerar o impacto ambiental de seus atos. Conforme dados do Instituto GEA, apenas na metrópole de São Paulo são produzidos 14 milhões de quilos de lixo diariamente. Portanto, a sociedade centralizada no consumo engendra o desafio da conscientização.

Por conseguinte, é crucial que os indivíduos reconheçam a sua responsabilidade nesse contexto. Hans Jonas, filósofo alemão idealizador do “Princípio da Responsabilidade”, defende que as pessoas devem agir de modo a possibilitar a existência da vida humana digna no futuro. Isso exige atitudes conscientes do cidadão em relação ao lixo que produz, sintetizados no programa 4Rs: repensar seus atos de consumo, reduzir o consumo, reutilizar os materiais e reciclar o lixo. Assim, conscientes da responsabilidade, os indivíduos contribuirão para a manutenção de um planeta habitável.

Portanto, é mister que o Estado tome providências para superar esse impasse. Para que haja conscientização acerca do consumismo irresponsável, urge que o Poder Executivo estabeleça o programa 4Rs em todos os órgãos públicos, principalmente nas escolas. Ademais, o Congresso Nacional pode editar uma lei que estabeleça incentivos tributários para empresas que também adotem o programa. Somente assim, espera-se uma redução do consumismo e, consequentemente, do acúmulo exacerbado de lixo, de modo que um mundo como o de WALL-E permaneça na ficção.