O lixo e a sociedade de consumo no Brasil

Enviada em 04/10/2019

A Constituição Federal de 1988 - norma de maior hierarquia no sistema jurídico brasileiro - assegura a todos o direito ao meio ambiente equilibrado. Entretanto, a efetivação desse direito não se fez completamente presente. Diante dessa perspectiva, deve-se avaliar como o consumismo e o descarte inadequado do lixo geram efeitos negativos à população.

Em primeiro plano, é importante analisar o sucesso da necessidade exagerada em adquirir novos produtos. Nesse sentido, Zygmunt Bauman, sociólogo polonês, defendia que vivemos em tempos líquidos e que nada é para durar. A esse respeito, as propagandas criam ambições supérfluas, somando ao mercado que utiliza da obsolescência programada, estimulando cada vez mais a compulsão em comprar. Por consequência, tem-se um aumento do número de transtornos mentais, endividamento e quantidade de lixo. Desse modo, não é razoável que o povo brasileiro continue a viver de forma ilusória e a prejudicar não só a si, mas o local em que vive.

Outro ponto relevante, nessa temática, é a deterioração do meio ambiente causada pela eliminação indevida de rejeitos. Nesse viés, a ilha de lixo no Oceano Pacífico é uma mancha resultada do acúmulo de detritos - principalmente de plástico - considerada uma catástrofe ambiental produzida pela humanidade. Com isso, a falta de locais adequados para a deposição de detritos acarreta a morte de diversos seres vivos como tartarugas e corais, além de contaminarem rios e solos. Todavia, enquanto o destino do lixo permanecer em segundo plano, a vida em nosso planeta estará comprometida.

Torna-se evidente, portanto, que o direito ao meio ambiente equilibrado seja, de fato, assegurado na prática como prevê a Constituição Federal de 1988. Em razão disso, o Ministério da Educação deve estimular, com prioridade, o pensamento crítico na sociedade, por meio de palestras nas escolas e propagandas em telejornais, com o intuito de evitar que a população entre no mundo consumista sem um senso consciente pré-formado. É imprescindível, também, que o Ministério do Meio Ambiente substitua os lixões, com apoio de prefeituras, implantando aterros sanitários controlados, a fim de direcionar os resíduos sólidos para locais seguros, e que mais tarde poderão servir de parques com áreas verdes. Assim, o Brasil poderá se ver livre de catástrofes com a ilha de plástico.