O lixo e a sociedade de consumo no Brasil
Enviada em 04/10/2019
No livro ‘‘A República", do filósofo Platão, o autor idealiza uma civilização na qual todos os indivíduos trabalhem em busca da harmonia, ou seja, do bem comum. Infelizmente, a produção exacerbada do lixo pela população tem afastado o Brasil dessa sociedade utópica, uma vez isso traz graves consequências para a saúde de todos. Tal problemática é ocasionada pela negligência governamental e pela falta de conscientização da população. Diante disso, é importante que se busquem caminhos para suavizar tal impasse.
A princípio, pode-se entender que a má gestão do lixo é decorrente do descaso estatal que, lamentavelmente, não busca formas qualificadas de descartá-lo. De acordo com o Instituto GEA, são recolhidos 14 milhões de quilos de lixo em São Paulo diariamente. Ademais, de acordo com o Jornal O Globo, aproximadamente 65% do lixo produzido é destinado aos lixões a céu aberto. Essas atitudes trazem consigo consequências irreparáveis ao meio ambiente - como a contaminação dos solos e das águas - e à saúde de toda a população - doenças e infecções causadas por ratos e insetos. Todavia, o desinteresse do Poder Público em criar meios menos agressivos para o manejo do lixo, agrava consideravelmente o problema da sociedade atual. Deste modo, urge que medidas sejam tomadas com o fito de amenizar esse imbróglio.
Além disso, o lixo se tornou uma questão que não excede apenas à responsabilidade do Estado e transformou-se em uma temática social, em que o povo necessita regularizar suas formas de consumo em prol do meio ambiente. Após a Primeira Revolução Industrial, ocorrida no século XVIII, a qual começou a utilizar máquinas a vapor para acelerar a produção, as pessoas vem comprando gradativamente, aumentando as taxas de consumo. Nesse panorama, com o consumismo se expandindo, os seres humanos vem descantando seus objetos de forma inadequada, em meio à natureza, tal atitude consequentemente prejudica o equilíbrio ecológico. Assim, atitudes são necessárias para erradicar o problema.
Portanto, para minimizar os efeitos do lixo na sociedade de consumo no Brasil, o Estado, que tem a função de buscar o êxito de uma civilização de qualidade, deve promover a coleta seletiva, por meio de parcerias com empresas destinadas à coleta e ao descarte do lixo, para que o meio ambiente e a saúde do povo não sejam afetados drasticamente. Outrossim, a mídia, pelo seu alto poder de persuasão, precisa inserir a discussão das consequências da eliminação irregular de objetos, a fim de mostrar a população a tragicidade de suas atitudes. Somente assim o país estará mais próximo da utopia platônica.