O lixo e a sociedade de consumo no Brasil

Enviada em 06/10/2019

“Lixo Extraordinário” é um documentário brasileiro que mostra a produção de obras de arte a partir de materiais coletados em um aterro sanitário. Contudo, embora exista uma política para o manejo de resíduos no Brasil, grande parte do lixo produzido é descartado de forma inadequada. Diante da problemática exposta, cabe a análise das causas e buscar medidas resolutivas adequadas ao mundo contemporâneo.

A priori, deve-se ressaltar que a sociedade brasileira vivencia a época do consumo em massa, e a produção de lixo cresce de forma exponencial. Segundo Thomas Malthus, a população aumentaria de forma geométrica enquanto a produção de alimentos cresceria de forma aritmética, o que levaria a uma sincope no futuro. Todavia, devido aos avanços tecnológicos foi possível evitar um colapso alimentar, porém com o aumento da produtividade, decorrente dessas inovações, gerou-se um consumo exagerado, o que resultou um enorme acumulo de resíduos. Neste sentindo, as inovações tecnológicas que aconteceram no meio ambiente não acompanharam, de forma proporcional, as que ocorreram nos meios de produção, o que gerou um aglomerado de lixo, o qual a população não se preparou para lidar.       Outrossim, ações com potencial de minimizar o impacto causado pela produção excessiva de resíduos, como a reciclagem, não tem conseguido demostrar os resultados esperado. De acordo com o Fundo Mundial para Natureza (WWF), o Brasil é o 4º maior produtor de lixo plástico do mundo e apenas 1,2% é reciclado. Esse valor é um reflexo do baixo investimento em ações que incentivem a reciclagem em larga escala. Embora exista a Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS), essa tem demostrado diversos entraves, entre os quais, falta de conscientização da população e estrutura inadequada para a realização da coleta seletiva. Desta forma, ocorre o acumulo de plástico, que afeta a qualidade do ar, solo e água, visto que o material absorve diversas toxinas e pode levar até 100 anos para se decompor.       Portanto, o manejo da política ambiental deve ser repensado. Compete ao Governo Federal, trabalhar em conjunto com as indústrias no desenvolvimento de ações que minimizem o impacto causado pelo excesso de lixo. Através do estimulo a coleta seletiva e o reaproveitando dos resíduos descartados, outra medida a ser adotada é o estabelecimento de metas ambientais com uma rígida fiscalização de seu cumprimento, podendo a empresa receber incentivos fiscais caso reduza a produção de resíduos dentro da margem estabelecida. Pois desta forma irá causar o extraordinário efeito artístico de transformar hábitos e pessoas.