O lixo e a sociedade de consumo no Brasil

Enviada em 08/10/2019

O filme “A Era da Estupidez” é retratado em um futuro distópico que analisa cenas de tragédias ambientais ocorridas no início do século XXI. A questão levantada pelo protagonista do longa traz a torna uma pergunta que deve ser feita a todos na real contemporaneidade: por que os seres humanos não se salvam quando ainda há chance? Nesta perspectiva, avaliar as causas e efeitos acerca do consumo e descarte equivocado do lixo produzido pela sociedade do consumo é imprescindível para um combate efetivo desse contratempo.

Historicamente, notável principalmente durante o governo de Juscelino Kubitschek, o Brasil recebeu um grande impulso para a industrialização e desenvolvimento econômico que consequentemente elevou o poder de compra gerando o consumo desenfreado, e a produção e descarte de lixo de forma equivocada. Ademais, segundo um estudo da revista Galileu, o Brasil enfrenta dificuldades para descartar o lixo de maneira adequada, de acordo com o estudo, mais de 50% dos resíduos são descartados de maneira inadequada em lixões a céu aberto, tendo em vista a Política Nacional de Resíduos Sólidos aprovada em 2010 esses locais deveriam ser extintos até 2014. Sendo assim, é perceptível que a sociedade brasileira caminha a passos lentos quando o assunto é a resolução da produção e do descarte desenfreado de rejeitos.

Analogamente, de acordo com uma matéria da revista Exame, o 196º país da Terra, as “Ilhas de Lixo” estariam surgindo de um aglomerado de centenas de milhares de toneladas de detritos plásticos do tamanho da França. Concomitante a isso, nutrimos uma sociedade estimulada para o consumo que de acordo com Adorno e Horkheimer é uma estratégia da indústria cultural de controle social, afim de fazer com que os indivíduos se aceitem e sejam aceitos dentro de uma sociedade que possui preferências que embora apresentem diferenças, são homogêneas diante da comunicação de massa, a qual na totalidade, é reduzida a produto seja intelectual, industrial e/ou ideológico.

É fundamental, portanto, que os impasses advindos da desordenada produção de lixo na sociedade brasileira seja admitida e combatida. Diante disso, as escolas devem fazer uma abordagem mais aprofundada sobre o assunto, os impactos da geração exacerbada de lixo e seu descarte irregular, além de abordar em palestras com especialistas a importância do consumo consciente. O Ministério de Meio Ambiente adjunto a mídia deve investir em campanhas para tornar os civis conscientes a respeito do consumo exagerado, que possuem intuito apenas de satisfazer necessidades fúteis de sempre querer um produto novo que instantes torna-se lixo. Posto isso, é possível mitigar os impactos oriundos do lixo e tornar a sociedade contemporânea consciente diante desta problemática.