O lixo e a sociedade de consumo no Brasil

Enviada em 11/10/2019

No filme infantil Toy Story 4, durante uma aula na escola, Bonnie, uma garotinha do jardim de infância, tranforma um garfo descartável em um de seus brinquedos favoritos. Analogamente, na contemporaneidade, muito é questionado a respeito do destino adequado que o indivíduo dá aos seus resíduos. Contudo, o consumismo desenfreado e seus reflexos na questão do lixo no Brasil indicam que mais atenção deve ser dada não só à preservação dos recursos naturais, como também à condição socioeconômica das camadas desfavorecidas.

Dessa forma, a produção desenfreada de resíduos representa um entrave para o meio ambiente, já que os ciclos biogeoquímicos, pelos quais a natureza recicla a matéria, passam por etapas demoradas. Isto posto, o lixo descartado inadequadamente leva, muitas vezes, anos para se decompor, além de que ao longo desse processo, substância nocivas são liberadas tanto no solo, contaminando lençois freáticos, quanto na atmosfera, polindo o ar e gerando chuvas ácidas. De qualquer forma, a sociedade deve se preocupar não só em defesa do meio ambiente, mas principalmente sobre ela própria, porque todos os impactos gerados acabam por refletir na vida de cada um. Como já dizia Lavoisier, na natureza nada se cria, nada se perde, tudo se transforma. Por isso, saber gerir os resíduos é tão importante.

Além disso, o consumo exacerbado tembém apresenta como reflexo a vulnerabilização econômica, principalente da classe carente em educação. Ou seja, por meio do marketing apelativo, tal como aponta Noam Chomsky como sendo uma das muitas estratégias da mídia, os valores sociais acabam sendo invertidos, enaltecendo, o status em detrimento da saúde individual. Tais como corpos dóceis, a população é induzida a bucar, indiscriminadamente, o consumo, trabalhando mais do que deveria, abidicando, assim, do descanso, que é essencial para a conservação do bem estar físico e mental.

Portanto, para pôr fim a esses reflexos negativos, é essencial mudar o padrão comportamental de cada indivíduo no tocante à compra consciente. O Ministério da Educação deve desenvolver comerciais televisivos que promovam reflexões acerca dos padrões de consumo da sociedade contemporânea. Ademais, cabe às Secretarias da Educação incentivar o debate e pesquisa escolar sobre as influências da publicidade no hábito do consumo. No âmbito prático, visitar centros de coleta celetiva e aterros sanitários é importante para crianças e jovens conhecerem qual o destino dos resíduos, bem como o papel do indivíduo na separação dos materiais. Ao Superministério do Desenvolvimento Regional, compete estudar, junto das Secretarias de Infraestrutura, postos de coleta de material reciclável em todas as cidades, tendo seu funcionamento divulgado por agentes comunitários, visitando cada residência. Assim, o consumo será freado e os resíduos devidamente descartados.