O lixo e a sociedade de consumo no Brasil
Enviada em 11/10/2019
O livro “O Poema Imperfeito” escrito por Fernando Fernandez, tira a percepção das pessoas de que a degradação da natureza é fruto das últimas décadas e evidencia que desde a chegada dos humanos ela tem corrido risco. A atualidade brasílica ratifica a visão do escritor brasileiro, já que a grande quantidade de lixo gerada pela população é um fator preocupante e prejudicial para o bem-estar dos indivíduos e do meio ambiente. Diante dessa perspectiva, cabe avaliar as esferas que intensificam esse quadro, são elas: social e política.
Em primeiro lugar, vale ressaltar que o consumo desenfreado na sociedade tem contribuído para o aumento de resíduos sólidos. O filósofo polonês Zygmunt Bauman entendia que a sociedade contemporânea poderia ser classificada como líquida, imediata e individualista. Tais aspectos são fatores que influenciam de forma grave o aumento do consumo, uma vez que com a celeridade das mudanças se tornou mais forte o ato de se desfazer de itens adquiridos. Como consequência, o aumento de detritos se tornou exorbitante e danoso para o ecossistema, pois têm afetado os rios, mares, lençóis freáticos e animais. Tudo isso retarda a resolução do empecilho, visto que o corpo social contribui para a continuidade desse quadro nocivo.
Ademais, é importante salientar a indiferença governamental frente ao óbice. John Locke, pai do liberalismo político, entendia que os indivíduos e o Estado deveriam agir juntos para que a coletividade obtivesse sucesso. No entanto, observa-se a negligência das autoridades para atenuar essa mazela, porque não são vistos incentivos à população para cuidar da natureza, campanhas e nem aulas de educação ambiental são ministradas nas escolas. Logo, se a força maior que é a governança negligencia o excesso de lixo, tampouco as pessoas irão se envolver na causa.
Portanto, indubitavelmente, medidas são necessárias para conter a ampla quantidade de lixo produzida no Brasil. Sendo assim, o Ministério da Educação deve acrescentar aulas de educação financeira ao currículo da educação básica, com o uso de livros sobre o assunto para cada nível de escolaridade, a fim de que as crianças possam construir um pensamento financeiro consistente e desenvolver um futuro comportamento consciente que não afete negativamente a natureza. Dessa forma, atenuar-se-à, em médio prazo, o impacto prejudicial do problema.