O lixo e a sociedade de consumo no Brasil

Enviada em 11/10/2019

No Filme “A Era da Estupidez” é retratado um futuro distópico que analisa cenas de tragédias ambientais ocorridas no início do século XXI. Fora da ficção, o longa assemelha-se com a realidade, uma vez que é questionável o fato de os seres humanos não remediarem os impactos ambientais enquanto ainda há solução. Nessa perspectiva, avaliar as causas e os efeitos acerca do consumo de lixo produzido pela sociedade do consumo é imprescindível para um combate efetivo desse contratempo.

Historicamente, notável principalmente durante o governo de Juscelino Kubitschek, o Brasil recebeu um grande impulso para a industrialização e desenvolvimento econômico que consequentemente elevou o poder de compra gerando o consumo desenfreado, e a produção e descarte de lixo de forma equivocada. Ademais, segundo um estudo da revista Galileu, o Brasil enfrenta dificuldades para descartar o lixo de maneira adequada, de acordo com o estudo, mais de 50% dos resíduos são descartados de maneira inadequada em lixões a céu aberto, tendo em vista a Política Nacional de Resíduos Sólidos aprovada em 2010, esses locais deveriam ser extintos até 2014. Sendo assim, é perceptível que a sociedade brasileira caminha a passos lentos quando o assunto é a resolução da produção e do descarte desenfreado de rejeitos.

Analogamente, de acordo com uma matéria da revista Exame, o 196º país da Terra, as “Ilhas de Lixo” estariam surgindo de um aglomerado de centenas de milhares de toneladas de detritos plásticos do tamanho da França. Concomitante a isso, nutrimos uma sociedade estimulada para o consumo que, de acordo com Adorno e Horkheimer, é uma estratégia da indústria cultural de controle social, a fim de fazer com que os indivíduos se aceitem e sejam aceitos dentro de uma sociedade que possui preferências que, embora apresentem diferenças, são homogêneas diante da comunicação de massa, a qual, na totalidade, é reduzida a produto seja intelectual, industrial e/ou ideológico.

É fundamental, portanto, que os impasses advindos da desordenada produção de lixo na sociedade brasileira seja admitida e combatida. Diante disso, as escolas devem fazer uma abordagem mais aprofundada sobre o assunto, os impactos da geração exacerbada de lixo e seu descarte irregular, além de abordar em palestras com especialistas a importância do consumo consciente. O Ministério de Meio Ambiente adjunto à mídia deve investir em campanhas para tornar os civis conscientes a respeito do consumo exagerado, que possuem intuito apenas de satisfazer necessidades fúteis de sempre querer um produto novo que instantes torna-se lixo. Posto isso, é possível mitigar os impactos oriundos do lixo e tornar a sociedade contemporânea consciente diante desta problemática.