O lixo e a sociedade de consumo no Brasil
Enviada em 15/10/2019
A Revolução Industrial foi um processo iniciado na Europa no século XVII que, apesar de trazer grandes avanços à humanidade, deu origem ao consumismo e à produção exagerada de rejeitos. Entretanto, quando se observa o atual cenário nacional, verifica-se que essa realidade não é exclusiva do velho continente, e o lixo e a sociedade de consumo no Brasil se tornam pautas que merecem discussão em dois aspectos: a questão educacional e a negligência governamental.
Em primeira análise, cabe pontuar que, de acordo com o pensador Anísio Teixeira, a educação é capaz de promover transformações na sociedade, todavia a abordagem ineficiente das escolas acerca do consumismo não permite que isso seja cumprido. Nessa perspectiva, a escassez de informações sobre essa problemática dificulta que a população adote práticas de consumo conscientes e, consequentemente, mantém elevada a produção de rejeitos no país. Comprova-se como isso ocorre ao observar que, somente na cidade de São Paulo, 14 toneladas de lixo são produzidas diariamente, o que evidencia a necessidade de uma instrução popular adequada para reverter esse quadro.
Ademais, convém frisar que o descaso do governo com a problemática dos rejeitos produz reflexos na saúde pública. Isso ocorre porque, a ausência de mecanismos de descarte e tratamento adequados para o lixo produz uma série de óbices à sociedade, como o entupimento de bueiros, a contaminação de lençóis freáticos e o aumento de doenças de veiculação hídrica, fatores que põem em xeque o direito fundamental à vida. Um exemplo disso foi o surto de dengue e zyka que ocorreu no Brasil em 2016, doenças diretamente relacionadas com as enchentes nos grandes centros e que representam bem o descaso das autoridades com esse setor.
Diante desse panorama, é evidente que esse conjunto possui entraves que devem ser revertidos. Logo, o Ministério da educação deve abordar o tema de maneira mais ampla nas escolas, por meio de debates, saraus e palestras que discutirão o consumo consciente, com o auxílio de ambientalistas e economistas, de modo que a população reconheça sua importância ainda nos primeiros anos da vida adulta e reduza a produção de dejetos. De outra parte, o Governo Federal precisa desenvolver pesquisas que visem o correto tratamento e destinação do lixo nas cidades, sem agredir o meio ambiente e causar transtornos à população, com o apoio das universidades federais. Assim, uma vez instituídas tais ações, os problemas relacionados ao lixo e ao consumismo serão, de fato, minimizados no Brasil.