O lixo e a sociedade de consumo no Brasil

Enviada em 14/10/2019

A CINESIA DO CAMINHO

Conforme a segunda lei de Newton - a lei da inércia, a qual afirma que um corpo tende a permanecer em seu movimento até que uma força suficiente atue sobre ele, mudando-o de percurso, o consumo desenfreado a o descarte incorreto de dejetos pelo cidadão brasileiro é um problema que persiste e cresce anualmente. Isso impacta não somente sobre a saúde da população, mas também no prejuízo para o meio ambiente. Nesse contexto, convém analisar o papel fundamental do Estado e suas ações perante a situação, que se torna cada vez mais desafiadora.

A princípio, a Constituição Cidadã de 1988, garante o bem-estar como direito de todos e dever do Estado, sendo o compromisso desse, promover o acesso igualitário e universal às ações e aos serviços para a sua formação e proteção, todavia, o Poder executivo não efetiva esse direito. Nesse sentido, vale ressaltar a lógica de Aristóteles no livro “Ética a Nicômaco”, no qual disserta que a política serve para garantir a felicidade dos cidadãos, logo, verifica-se que esse conceito encontra-se deturpado, uma vez que urge acabar com a falsa necessidade de consumo implantada pelo capitalismo, visto que nesse sistema econômico, é instaurado por meio das mídias o desejo insaciável de obtenção de mercadorias, fazendo com que sejam facilmente descartadas e contribuindo para a expansão de resíduos.

Atrelado ao consumismo, a situação do lixo no Brasil também é um fator que contribui para o caos existente, ocasionado pelo descarte irresponsável de tudo o que é usufruído. Hoje, por exemplo, não é comum encontrarmos cidades no país com serviços de coleta seletiva, a situação fica ainda mais preocupante em zonas pobres, onde o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) estima que, por falta de serviços públicos, 27% do lixo do Brasil vai para lixões, terrenos baldios e rios. Com isso, há uma crescente poluição das águas, bem como a contaminação do solo e, ademais, o aumento do efeito estufa - que ocorre através da liberação do metano e do gás carbônico na atmosfera, produzidos nos lixões a céu aberto.

Ante o exposto, faz-se preciso que o Estado atue dando suporte ao Ministério do Meio Ambiente, responsável por promover o conhecimento, a proteção e a recuperação do ambiente, para criar projetos de coleta seletiva mais amplos, por meio de programas que atendam todo território nacional, afim de minimizar os danos do descarte inapropriado. Ademais, as ONG’s, órgãos capazes de suprir as falhas governamentais, devem incentivar o consumo consciente por meio de palestras e campanhas com o propósito de diminuir o desejo insaciável de compra dos indivíduos. Desse modo, sanar-se-á a problemática, modificando o percurso como a força descrita por Newton.