O lixo e a sociedade de consumo no Brasil
Enviada em 15/10/2019
Brás Cubas, defunto-autor de Machado de Assis, diz, em suas “Memórias Póstumas”, que não teria filhos, a fim de nunca ter de transmitir os legados das misérias humanas. Analogamente, a forma como o lixo é administrado e a atual sociedade consumista, enquadram-se no posicionamento da personagem, uma vez que se constituem como desafios a serem superados para mitigar o lixo e a sociedade de consumo no Brasil. Assim, é necessário discutir os aspectos políticos e sociais da questão em prol do bem-estar social.
Vale ressaltar, em princípio, que o despejo de lixo em áreas inadequadas é um fator determinante para a persistência da problemática. A esse respeito, um dos principais problemas é a deposição de lixo orgânico em água, que resulta na eutrofização artificial, processo no qual ocorre a proliferação de micro-organismos que acabam por consumir o oxigênio presente no ambiente aquático, matando outros seres vivos que habitam o mesmo local. Nesse sentido, fica evidente que o descarte inadequado do lixo orgânico é um fator determinante para a destruição da fauna e da flora.
A posteriori, é substancial discutir a forma como a sociedade consumista se mantém tão constante. Segundo Karl Marx, filósofo Alemão, as empresas criam um fetiche sobre a mercadoria, constrói-se a ilusão de que a felicidade seria alcançada a partir da compra do produto. Nessa perspectiva, a sociedade consumista presente no Brasil é fruto de uma alienação realizada pelas empresas, no qual, sem conhecimento algum os indivíduos são iludidos pela falsa sensação de felicidade ao comprar algum produto. Em suma, associado a forma como os resíduos são eliminados, uma sociedade que compra e descarta diversos itens diariamente agrava cada vez mais o cenário atual.
Dessa Forma, medidas exequíveis são necessárias para conter o avanço do lixo e a sociedade de consumo no Brasil. Com o intuito de preservar a fauna e a flora e para que o consumismo não seja um problema para a sociedade, urge que o Estado, especificamente o Ministério da Educação e Cultura (MEC) desenvolva, por meio de verbas governamentais, aulas e palestras em escolas e universidades, demonstrando a forma como os produtos devem ser tratados na hora de compra-los e descarta-los, cabendo a instituição de ensino a criação de aulas exclusivas sobre a maneira como o mercado tenta convencer os consumidores a comprar seus produtos e também as consequências do descarte inadequado de todos os tipos de materiais. Dessa maneira, a sociedade irá torna-se mais justa e coesa e deixará uma legado que Brás Cubas se orgulharia em repassar.