O lixo e a sociedade de consumo no Brasil
Enviada em 15/10/2019
Para o pensador francês Pierre Bordieu, “aquilo que foi criado para ser um instrumento de democracia, não deve ser convertido em uma ferramenta de manipulação”. Essa visão, embora correta, não é efetivada no hodierno cenário global, sobretudo no Brasil, posto que se tornou frequente o conflito entre o lixo e o consumo nas diversas relações cotidianas. Isso ocorre, ora pelo consumismo exacerbado, ora pela inação das esferas governamentais para conter esse dilema. Assim, hão de ser analisados tais fatores, a fim de que se possa liquidá-los de maneira eficaz.
A primeira Revolução Industrial se iniciou na Inglaterra no século XIX, advento marcado pela troca dos homens por máquinas, nesse período, a produção passou a ser em larga escala, dando início ao consumismo e ao que se conhece hoje como mundo globalizado. A globalização e a política são voltadas unicamente para o mercado e o consumidor, uma vez que, o ser humano tem vontades únicas e possuir o novo e o melhor lhe provoca um misto de sensações e alegrias. Segundo o conceito de felicidade, discutido na filosofia por Aristóteles, a eudaimonia é alcançada com a união equilibrada entre razão e satisfação de prazeres. Contudo, evidencia-se que, o indivíduo nunca está em total realização e produtor irá se dispor da necessidade artificial de se consumir cada vez mais, em busca dos prazeres da felicidade, gerando, por conseguinte, um volume excessivo de lixo.
Outrossim, é imperativo pontuar que os altos índices de produção de lixo, devido ao consumo exagerado da sociedade, deriva, ainda, da baixa atuação dos setores governamentais, no que concerne á criação de mecanismos que coíbam tais resistências. Isso se torna mais claro, por exemplo, ao analisar as pesquisas do IBGE,que declara que a maior parte da população brasileira não está ciente sobre os locais de onde e como o lixo é deportado. Ademais, os deportes de detritos estão se esgotando e os centros urbanos, em especial, das capitais, estão se transformando em verdadeiros aterros sanitários, atingindo milhões de quilos coletados diariamente. Dessa forma, se o governo se omite diante uma questão tão importante, entende-se assim, o porquê de sua continuação.
Depreende-se, portanto, a necessidade, de se combater o atrito entre o lixo e a sociedade em consumo no Brasil. Para tanto, cabe ao Ministério da educação, inserir, nas escolas, desde a tenra idade, programas de conscientização ao consumir apenas o necessário, além de difundir campanhas instrucionais do descarte do lixo, por meio das mídias, e para que o sujeito aja corretamente de acordo com suas necessidades. É imperioso destacar, que o Governo imponha sanções á empresas, em especial as que estimulam o consumismo irregular, por via da instauração de Secretarias planejadas para melhorias no meio ambiente com fiscalizadores, com o fito de minimizar tais comportamentos.