O lixo e a sociedade de consumo no Brasil

Enviada em 15/10/2019

Mortandade de pessoas, famílias destruídas e a tristeza como plano de fundo. Esse era o cenário de muitas cidades europeias no século XIX, devastadas pela “Peste Bubônica”, uma doença que ganhava força na precariedade sanitária da época. Passados séculos desse trágico período, o problema do excesso de lixo e seu inapropriado descarte continuam ameaçando a “saúde” do país e do mundo. Um nocivo fator que outrora se fortalecia no desconhecimento, mas que hoje se “alimenta” da alarmante cultura de consumo da pós-modernidade. Diante disso, urge analisar as principais causas e consequências dessa problemática. Em primeiro lugar, de acordo com as ideias de Milton Santos, geógrafo brasileiro, há uma forte influência sobre a sociedade nacional e mundial chamada “Globalitarismo”, um termo que se refere à imposição que grandes nações hegemônicas exercem em países periféricos como o Brasil, sobretudo em relação à sua adequação aos padrões de consumo de mercadorias e um estilo de vida baseado em suprir necessidades materiais. Perfazendo essa constatação de maneira prática, o que se observa no contexto brasileiro é o quanto isso acaba contribuindo para o aumento do problema do lixo e de comportamentos que negligenciam seus males. De acordo com o portal de notícias G1, mais de 90% do lixo produzido diariamente no país deixa de ser coletado, resultando em descartes inapropriados que, certamente irão poluir rios e demais ambientes, tanto urbanos quando rurais. Somado a isso, o acúmulo dos resíduos, principalmente os sólidos de degeneração extremamente extensa, tem se tornado outro elemento negativo e nocivo à nação, pois observa-se no Brasil um substancial número de lixões e áreas com depósito de lixo sem as apropriadas medidas de tratamento e descarte. Segundo a Abrelpe, o Brasil tem aproximadamente 3000 lixões em 1600 cidades do país, algo que revela uma responsabilidade não só do indivíduo, mas também do Estado, com ineficientes políticas públicas para resolução do problema, repercutindo em consequências tanto para a saúde da população como a deterioração do espaço urbano e de moradia. Portanto, essa drástica situação de aumento de lixo e exacerbada cultura de consumo precisam ser transformadas. Para tal, os governos estaduais em parceria com educadores das áreas de cidadania, ecologia e planejamento urbano devem criar um programa de capacitação online, atrelado ao MEC, para alunos da rede pública e privada, abordando além de conteúdo didático sobre as consequências do consumismo exagerado, outras maneiras de lidar com os resíduos que são descartados. Junto a isso, ainda pelo portal, promover a participação de todos os cidadãos criando uma área de denúncias para situações de descarte inapropriado em suas cidades. Agindo assim, traumas do passado com sérias doenças e devastação de cidades, certamente, não terão espaço no presente e no futuro do país.