O lixo e a sociedade de consumo no Brasil

Enviada em 20/10/2019

A partir da mecanização da produção, o estímulo ao consumo tornou-se um fator primordial para a manutenção do sistema capitalista. Assim, de acordo com o filósofo Karl Marx, para que esse incentivo ocorresse, criou-se o fetiche sobre a mercadoria: constrói-se a ilusão de que a felicidade seria encontrada a partir da compra de um produto, mesmo que essa influencie nos recursos naturais. Dessa forma, cabe discutir sobre o lixo e a sociedade de consumo no Brasil e estipular medidas condizentes para sua minimização.

Em primeiro lugar, é importante ressaltar a ligação do consumo desenfreado à visão utópica de um mundo perfeito, o qual é refletido na felicidade expressa pela percepção interna das relações sociais. Nessa linha de pensamento, a série “Black Mirror” retrata de forma sarcástica os efeitos da tecnologia na vida humana. Há um episódio que critica a personalidade construída da população em torno de um aplicativo de avaliação que quanto mais positiva fica, mais prestígio social e econômico se tem. Não obstante da realidade tecnológica atual, essa filosofia marxista se faz presente, uma vez que o consumo desenfreado prejudica o equilíbrio ambiental justificado pelas demandas de extração de matéria prima, como também na maior produção de lixo descartado.

Paralelamente a isso, sobressai a diminuta coleta seletiva como motor degradante do meio ambiente. Segundo análise do Instituto Brasileiro de Opinião e Estatística, 85% dos brasileiros estariam dispostos a separar o lixo em suas casas se houvesse a estrutura de seleção disponível em seus bairros, como as lixeiras coloridas. Entretanto, o que ocorre é a presença desse sistema em apenas 18% das cidades do país. Esse quadro acarreta uma mistura de resíduos que, em parte, poderia ser reciclada para desafogar toneladas de compostos descartados em lixões diariamente. Portanto, faz-se necessário políticas públicas para reverter o panorama apresentado.

Entende-se, portanto, diante dos fatos expostos, que é papel do Governo Federal em parceria com o Ministério do Meio Ambiente, estipular um novo projeto socioambiental que, via de regra, torne obrigatório a implantação de lixeiras seletivas em todos os bairros da cidade, de forma que a população comece a conscientizar-se da importância de reciclagem do lixo, como também, priorizar as gerações futuras ao reverter o acúmulo de descartados em lixões. Ademais, cabem às mídias, como formadoras de opiniões, aderirem aos programas televisivos de debates, como o “Jornal da Cultura” e “Encontro com Fátima Bernardes”, didáticas sobre como evitar o consumo desenfreado de objetos sem necessidade, para que assim, o meio ambiente seja menos impactado pelo homem.