O lixo e a sociedade de consumo no Brasil

Enviada em 25/10/2019

De acordo com o fundador do Greenpeace, Paul Watson, “a inteligência é a capacidade das espécies conviverem em harmonia com o meio ambiente”. No entanto, nos dias atuais é possível perceber que os brasileiros ainda não atingiram tal inteligência, visto que o Brasil é um dos maiores produtores de lixo do mundo. Tal situação se deve ao consumo excessivo praticado sem responsabilidade e ao desleixo da população com o destino de seus dejetos. A respeito dessa conjuntura, faz-se necessário a revisão acerca do modelo capitalista.

Mormente, vale ressaltar os efeitos das redes sociais e da mídia como agentes massificantes. A Escola de Frankfurt, com seus principais filósofos Adorno e Horkheimer, afirmava que o indivíduo é instigado, pela cultura de massa, a consumir. Dessa maneira, as pessoas são direcionadas a agir irracionalmente, mitigando do seu senso crítico e, dessa maneira, despertam uma vontade desenfreada pela compra de bens materiais, buscando o alívio emocional momentâneo.

Além disso, as consequências desses hábitos consumistas são ignoradas pelos indivíduos. Segundos dados do jornal G1, o brasileiro gera cerca de 380 quilos de lixo anualmente, o que faz o Brasil ficar entre os 5 maiores produtores de resíduos. Tal quantidade absurda acarreta graves problemas ao meio ambiente como a intensificação do efeito estufa pelo gás metano, fruto da decomposição de rejeitos orgânicos. Somado a isso, a célebre frase de Antoine Lavoisier “na natureza nada se cria nada se perde, tudo se transforma”, mostra que em um futuro próximo haverá o esgotamento de matéria-prima, caso não haja a devida preocupação com reciclagem e a devolução dos insumos à natureza.

Portanto, é mister que o Estado tome providências para amenizar o quadro atual. Para a conscientização da população a respeito do problema, urge que o Ministério da Educação e Cultura (MEC) crie, por meio de verbas governamentais, nas grades curriculares das escolas, matérias que detalhem a necessidade do cuidado com o consumo excessivo e as suas consequências, de modo a atenuar os problemas ambientais causados por tais hábitos. Somente assim, será possível combater a irresponsabilidade de muitos, despertando, dessa maneira, a inteligência da qual Paul Watson falava.