O lixo e a sociedade de consumo no Brasil

Enviada em 16/10/2019

Antes da Revolução Industrial, o lixo produzido era basicamente orgânico, e o número de habitantes no planeta era menor. Dessa forma, as pessoas enterravam os resíduos em seu próprio quintal. Hodiernamente, ele é composto por substâncias altamente poluentes que na sua maioria não recebem uma destinação correta, além da sua grande produção causada pelo capitalismo. Nesse contexto, não existem dúvidas de que o lixo gerado pela sociedade consumista é um desafio no Brasil, o qual ocorre devido, não só  a imposições do mercado, como também pela cultura do consumo desnecessário.

Convém ressaltar, em primeiro plano, de que forma o mercado impõe seus produtos ao consumidor. Com o objetivo de movimentar às vendas, criou-se a obsolescência programada, a qual consiste em estabelecer um prazo de validade a determinado produto, o qual mesmo estando em boas condições, ao vencer a data estipulada pelo fabricante, simplesmente para de funcionar. Desse modo, o indivíduo é obrigado a adquirir outra mercadoria, pois, sabe-se que consertá-lo será praticamente o valor de um novo. Assim, o consumo e, consequentemente, a produção de lixo aumentam constantemente.

Outro ponto importante nessa temática, é a cultura do consumo desnecessário que tem assolado a população. De acordo com o sociólogo Zygmund Bauman, vivemos em tempos líquidos, nada é para durar. Esse conceito é aplicável no que tange a maneira como as pessoas administram seus bens, pois, nota-se que elas vivem em uma necessidade constante de compra, que muitas das vezes levam-nas a descartar grande quantidade de produtos pelo desejo de um novo lançamento ou um novo design. Além disso, em vários momentos, a destinação desses resíduos acontece de maneira indevida, colaborando de maneira significativa para a poluição da atmosfera e dos rios.

Sendo assim, é indispensável a adoção de medidas capazes de assegurar uma mudança na cultura de consumo dos indivíduos, e o combate as imposições do mercado. Logo, cabe ao Governo, por meio da elaboração de leis, proibir a obsolescência programada, a fim de obrigar as indústrias a desenvolverem produtos com maior durabilidade. Outrossim, o Ministério da Educação, em parceria com a mídia, deverão promover palestras nas escolas e em programas de televisão, incentivando a população a adquirir somente aquilo que de fato for necessário, com o fito de diminuir a quantidade de lixo  produzido. Outras medidas devem ser tomadas, mas, conforme foi dito pela Madre Tereza de Calcutá: o que for feito será apenas uma gota no oceano, porém sem esta gota o oceano será menor.