O lixo e a sociedade de consumo no Brasil

Enviada em 17/10/2019

Brumadinho e Mariana são duas cidades mineiras que passaram por um grave problema ambiental causado por resíduo industrial. Embora, algumas cidades não corram o mesmo risco, elas também são alvos de entraves ecológicos causados pelo acúmulo de sujeiras relacionadas ao consumismo humano. Nesse sentido, no que tange à questão do lixo e a sociedade de consumo no Brasil, percebe-se a configuração de um grave problema, em virtude da falta de reciclagem efetiva e o desleixo com o meio ambiente.

Convém ressaltar, a princípio, o consumismo exacerbado que gera entulho de maneira paralela. Sob este aspecto, o fordismo instalado no século vinte promoveu uma produção em série e aumentou o poder aquisitivo da população, em contrapartida, iniciou-se uma grande busca pela saciação material. Seguindo este raciocínio, um relatório divulgado pela Universidade das Nações Unidas revelou que aproximadamente quarenta e cinco toneladas de lixo eletrônico foram geradas em 2016 - um crescimento de oito por cento desde 2014. E por conseguinte, o descarte de materiais cresce conforme o comércio se torna mais acessível. Dessa maneira, a natureza sofre com o egoísmo humano  em busca da saciação material.

Paralelo a isso, o meio ambiente é o principal agente prejudicado pelo consumo da humanidade. Nesse viés, um estudo realizado pelo Fundo Mundial para a Natureza mostra que o Brasil é o quarto país no mundo que mais produz lixo. Entretanto, dados do Plano Nacional de Resíduos Sólidos revelam que apenas três por cento do descarte é reciclado. Ademais, os resultados dessa falta de reaproveitamento são: perda de matéria prima e exploração desnecessária de metais, plásticos, papéis e vidros, já que são os principais compositores de itens para o mercado consumidor. A partir desta análise é possível concluir que falta educar os brasileiros para cuidar do detrito gradativamente, assim como consomem em exagero.

E suma, faz-se imprescindível a tomada de medidas atenuantes ao impasse abordado. Posto isso, concerne ao Estado, mediante os Ministérios da Educação e Meio Ambiente, a criação de um plano educacional que vise a elucidar a população quanto aos riscos do excesso de despejos eletrônicos relacionados ao consumismo. Tal projeto deve ser instrumentalizado na oferta de palestras que apresentem a gravidade do descarte incorreto no meio ambiente e suas consequências futuras. Além disso, deve-se ainda promover o incentivo a coleta desses detritos nas escolas. Por fim, os brasileiros caminharão rumo a um país que viva ecologicamente correto sem afetar a saciação material.