O lixo e a sociedade de consumo no Brasil

Enviada em 17/10/2019

Conforme a segunda lei de Newton - a lei da inércia, a qual afirma que um corpo tende a permanecer em seu movimento até que uma força suficiente atue sobre ele, mudando-o de percurso, o consumo desenfreado e o descarte incorreto de dejetos pelo cidadão brasileiro são problemas que persistem e crescem anualmente. Isso impacta não somente sobre a saúde da população, mas também no prejuízo para o meio ambiente. Nesse contexto, convém analisar o papel fundamental do Estado e suas ações perante a situação, que se torna cada vez mais desafiadora.

A princípio, a Constituição Cidadã de 1988, garante a saúde humana e ambiental como direito de todos e dever do Estado, sendo o compromisso desse destinar de maneira adequada o lixo, bem como a organização e manutenção dos lixões, todavia, o Poder executivo não efetiva esse direito. Nesse sentido, vale ressaltar a lógica de Aristóteles no livro “Ética a Nicômaco”, no qual disserta que a política serve para garantir a felicidade dos cidadãos, logo, verifica-se que esse conceito encontra-se deturpado, uma vez que urge acabar com a falsa necessidade de consumo implantada pelo capitalismo, visto que, nesse sistema econômico, é instaurado por meio das mídias o desejo insaciável de obtenção de mercadorias, fazendo com que sejam facilmente descartadas e contribuindo para a expansão de resíduos.

Atrelado ao consumismo, a situação do lixo no Brasil também é um fator que contribui para o caos existente, ocasionado pelo descarte irresponsável de tudo o que é usufruído. Hoje, por exemplo, não é comum que se encontre cidades no país com serviços de coleta seletiva, a situação fica ainda mais preocupante em zonas pobres, onde o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) estima que, por falta de serviços públicos, 27% do lixo do Brasil vai para lixões, terrenos baldios e rios. Com isso, há uma crescente poluição das águas, bem como a contaminação do solo e, ademais, o aumento do efeito estufa - que ocorre por meio da liberação do metano e do gás carbônico na atmosfera, produzidos nos lixões a céu aberto.

Ante o exposto, faz-se preciso que o Poder Executivo invista no Ministério do Meio Ambiente, responsável por promover o conhecimento, a proteção e a recuperação do ambiente, para ampliar seu poder de atuação e criar projetos de coleta seletiva mais amplos, por meio de programas que atendam todo território nacional, a fim de minimizar os danos do descarte inapropriado. Ademais, as ONG’s, órgãos capazes de suprir as falhas governamentais, devem incentivar o consumo consciente por meio de palestras e campanhas com o fito de diminuir o desejo insaciável de compra dos indivíduos. Desse modo, sanar-se-á a problemática, modificando o percurso como a força descrita por Newton.