O lixo e a sociedade de consumo no Brasil

Enviada em 19/10/2019

Em sua obra ‘‘Vida para consumo’’, o sociólogo Zygmunt Bauman aponta que na pós-modernidade o objetivo do consumo não é satisfazer as necessidades humanas básicas, mas sim os desejos que são crescentes e imediatos. Na realidade brasileira, os resultados disso são a fragilização das relações humanas e uma enorme produção diária de lixo, o que leva à necessidade da adoção de medidas que revertam esse cenário caótico.

Antes de tudo, é válido ressaltar que na sociedade contemporânea consumir passou a ter papel primordial na construção das personalidades. Nessa perspectiva, a própria vida humana se torna uma mercadoria, uma vez que para terem dinheiro suficiente para o consumo as pessoas passam a maior parte do seu dia trabalhando. Assim, os pais conseguem dar bens materiais a seus filhos, porém não oferecem atenção e carinho a eles, resultando em relações humanas cada vez mais frágeis e superficiais, o que leva à insegurança e ao medo.

Ademais, o consumo excessivo resulta em uma quantidade exorbitante de lixo, sendo este um dos principais problemas ambientais no Brasil. De acordo com a filosofia epicurista, uma vida tranquila e livre de preocupações é aquela baseada no equilíbrio. Todavia, a sociedade atual tem como felicidade o excesso de bens materiais, o que implica um consumo desenfreado, na tentativa de alcançar uma situação de satisfação. Porém, essa não é atingida, tendo em vista que o objetivo do mercado é levar os indivíduos a consumir mais e mais, o que resulta no descarte de produtos e no desperdício, intensificando, assim, o problema do lixo.

Ficam evidentes, portanto, os impactos do consumismo excessivo para a sociedade brasileira. Logo, cabe ao Ministério da Educação promover palestras, mediante o apoio das escolas e das prefeituras, que busquem debater a respeito do consumismo excessivo e sua implicação na produção de lixo, expondo as consequências negativas deste para a sociedade. Dessa forma, será possível formar uma sociedade mais consciente e que tenha um consumo regrado, revertendo a situação exposta por Bauman em “Vida para consumo’’.