O lixo e a sociedade de consumo no Brasil
Enviada em 27/10/2019
A história das coisas, documentário norte-americano, reflete sobre os padrões de consumo, desde a extração da matéria ao descarte do produto no ambiente, ciclo esse sem fim. Embora seja uma produção artística, o curta apresenta características similares ao curso do lixo na sociedade brasileira. Assim, essa realidade deve ser analisada holisticamente, uma vez que o consumo desenfreado juntamente com o descarte irregular ocasiona a sobrecarga do ecossistema, entretanto a gestão consciente de resíduos é capaz de amenizar esse cenário e trazer benefícios econômicos para o país.
Em primeiro lugar, é importante destacar que a alta produção de resíduos está atrelada a cultura do desperdício e da aquisição de produtos obsoletos, traços marcantes da sociedade pós-moderna. Consoante Sartre, o ser humano é livre e responsável, logo possui autonomia para escolher sua conduta. Nesse sentido, o homem é capaz de mudar seus hábitos em prol do consumo consciente e saudável, por meio da reciclagem de materiais, da compra moderada e preferência por objetos reaproveitados. No entanto, dados coletados em 2017 pela Giral Viveiro de Projetos revelam que o lixo produzido no Brasil é capaz de ocupar uma área equivalente a 206 estádios do Morumbi. Verifica-se, portanto, tamanho impasse que acarreta no colapso do ecossistema.
Pode-se, também, afirmar que a coleta de rejeitos é uma forma de dinamizar a economia. Segundo Marcio Matheus, do Sindicato das Empresas de Limpeza Urbana no Estado de SP, seis bilhões de reais oriundos da gestão de lixo poderiam movimentar os cofres brasileiros e promover investimento tanto na modernização de aterros quanto em outros setores sociais. Porém, o individualismo da sociedade no que tange a falta de interesse de separar o lixo residencial atrelado a busca incessante por lucro rápido em relação a produção de produtos obsoletos são algumas das características presentes nos indivíduos contemporâneos. Ou seja, diversos são os empasses que afastam os brasileiros do desenvolvimento sustentável.
Em suma, são necessárias medidas que atenuem o lixo generalizado produzido no cenário nacional. Logo, cabe ao Ministério da Educação e Cultura regulamentar na grade do ensino infantil - faixa etária em processo de construção de conceitos - aulas destinadas ao consumo e descarte consciente, por meio de oficinas de reciclagem e teatros com o intuito de salientar a importância de consumir somente o necessário. Ademais, as Ong’s de proteção ao ambiente devem criar campanhas que visem convencer o público adulto a comprar produtos com embalagens retornáveis, priorizar a reciclagem em detrimento do descarte a fim de promover as próximas gerações uma realidade sustentável. Dessa forma, o ciclo evidenciado no documentário será erradicado aos poucos.