O lixo e a sociedade de consumo no Brasil
Enviada em 24/10/2019
Humano-anúncio itinerante
A Carta Magna de 1988 - ordem de maior hierarquia no sistema jurídico brasileiro - assegura a todos o direito à saúde e ao meio ambiente ecologicamente equilibrado. Todavia, esses ideais não são experimentados na prática pela população nacional, pois problemas relacionados ao consumo exacerbado de produtos e ao descarte inadequado do lixo são uma realidade no país.
Primeiramente, na obra Eu, Etiqueta, de Carlos Drummond de Andrade, o eu-lírico perde sua identidade ao afirmar ser homem-anúncio itinerante e escravo da matéria anunciada. Em comparação a isso, uma parcela grande de cidadãos brasileiros se vê espelhada na imagem retratada pelo poema. Muitas pessoas buscam, por falta de um propósito de vida claro e pela efemeridade das relações retratadas no livro Modernidade Líquida de Zygmunt Bauman, o consumo desenfreado para satisfazer suas necessidades que, no fim, não são contempladas, causando um círculo vicioso de compra, prazer e vazio existencial. Além disso, o consumismo brasileiro ainda é agravado pela necessidade se sentir parte de um grupo, expresso pelo conceito Fato Social de Émile Durkheim, leva à compra voltada para a ostentação e status e dá sentido ao verso " O meu cartão de crédito é uma navalha" da música Brasil, consagrada na voz do cantor Cazuza. Assim, há o endividamento da população brasileira e o crescimento do consumo de supérfluos.
Em segundo plano, cabe ressaltar a obsolência planejada e o descarte inadequado do lixo como impasses decorrentes da ideologia capitalista expressa na música 7 Rings da americana Ariana Grande: “Eu vejo, eu quero, eu compro.” Muitas empresas buscando apenas o lucro, desenvolvem, de modo proposital, produtos que se tornam inutilizáveis ou ultrapassados em período de tempo relativamente curto. Essa atitude visa promover as compras pelo contingente populacional. No entanto, isso resulta no uso de recursos naturais em alta velocidade, o que dificulta a renovação desses, bem como causa um enorme volume de lixo porque os cidadãos, extremamente atarefados devido a vida moderna, não dedicam tempo à prática dos três Rs da sustentabilidade: Reduzir, Reutilizar e Reciclar. Logo, essa conjuntura proporciona o desequilíbrio ambiental e, consequentemente, afeta a saúde da nação.
Portanto, o Ministério do Meio Ambiente, através das redes sociais, deve fomentar um debate construtivo entre os brasileiros com os objetivos de estimular o consumo consciente e promover uma ideologia voltada para a proteção ambiental. Desse modo, os direitos constitucionais supracitados deixarão de ser apenas ideiais, sendo exercidos pela população brasileira.