O lixo e a sociedade de consumo no Brasil

Enviada em 30/10/2019

A animação do londrino Steve Cutts, intitulada “Man”, retrata a grande quantidade de lixo produzido devido aos maus hábitos da sociedade consumista. No Brasil, essa realidade não está distante, já que, segundo um estudo feito pelo Fundo Mundial para a Natureza (WWF), o Brasil é o 4° maior produtor de lixo no mundo. Nesse sentido, infere-se que, infelizmente, tal cenário é reflexo não só da sociedade consumista, mas também em razão da má gestão de resíduos sólidos no país.

A princípio, vale ressaltar que o modo de produção capitalista atrelado à sociedade de consumo massificado corroboram, fortemente, para a vasta quantidade de lixo detectado no Brasil. De acordo com o pensamento do filósofo e economista Adam Smith, o consumo é a única finalidade e propósito de toda a produção. Sob essa ótica, a maior parte da indústria de bens diretos (como automóveis e eletrodomésticos) aderiram uma estratégia de produção em que se estabelece uma data para que um determinado produto torne-se obsoleto - obsolescência programada, isto é, descartado e, assim, abrir espaço para “novas” peças. Desse modo, esse ciclo de ‘usar-descartar’ repetido diversas vezes e em curto intervalo de tempo sobrecarrega o Meio Ambiente, sobretudo, pela porção de lixo gerado por esses sistemas irracionais.

Outrossim, a negligência com a correta destinação dos resíduos de lixo é outro impasse dessa mazela. Segundo o Panorama dos Resíduos Sólidos no Brasil, cerca de 42% do lixo acaba em local inadequado - lixões e aterros irregulares. Isto posto, verifica-se que a má gestão desses entulhos (principalmente da indústria e das empresas) é evidente e, como consequência, têm-se a liberação de poluentes para a atmosfera e, além disso, é uma questão, também, de saúde pública, já que, há a poluição visual, do ar e do solo. Por isso, é inaceitável que, com tantas políticas ambientais previstas em lei, essa desorganização e esse descuido ainda assolem a problemática do lixo no Brasil.

Conclui-se, portanto, que, para a animação de Steve Cutts não se tornar um retrato fiel do país, medidas precisam ser tomadas. Para tanto, a escola, como responsável pelo desenvolvimento cognitivo, psicológico e social do indivíduo, deve inteirar e orientar os seus alunos sobre as consequências do consumo desregulado e do descarte incorreto do lixo para a sociedade e para o meio ambiente, por meio de aulas interdisciplinares e lúdicas e mesas-redondas, a fim de promover uma conscientização nos indivíduos e mitigar esses impasses.