O lixo e a sociedade de consumo no Brasil
Enviada em 28/10/2019
“Na natureza nada se cria, nada se perde, tudo se transforma”. Na conjuntura hodierna, a população brasileira parece ignorar tal princípio do químico Lavoisier, visto que a mesma consome e descarta desenfreadamente, como se os recursos não cessassem e o lixo desaparecesse. Desse modo, o padrão de consumo no Brasil gera um número absurdo de resíduos sólidos em um ritmo insustentável ambientalmente, o que exige ações do Estado e da sociedade civil em relação ao consumo consciente e ao descarte adequado, a fim de amenizar os impactos para o meio ambiente.
A priori, é válido ressaltar o consumismo exacerbado como contribuinte para a produção do lixo brasileiro. Nesse sentido, consoante a afirmação do filósofo Zigmunt Bauman, “consumo, logo existo”, a prática de adquirir bens, até mesmo desnecessários, é um dos pilares do sistema capitalista vigente, o que contribui para que essa seja uma pratica constante. No entanto, tal comportamento - além de desperdiçar recursos naturais - é responsável pela enorme produção de resíduos, os quais são extremamente prejudiciais para o meio ambiente e para a saúde. Diante disso, dados do Fundo Mundial para a Natureza (WWF) apontam que o Brasil já é o quarto maior produtor de lixo plástico do mundo, o que evidencia a necessidade de mudança de hábito do brasileiro para uma vida sustentável.
Outrossim, é relevante destacar também o papel crucial do Estado no manejo dos resíduos sólidos. Na animação da Disney “Wall - e” é apresentada uma perspectiva futurística do planeta Terra, o qual seria inabitável e cercado de entulho. Fora da ficção, em um país capitalista com uma péssima gestão do lixo como o Brasil, como mostram estatísticas da Associação Brasileira das Empresas de Limpeza Pública as quais revelam que o Brasil possui mais de três mil lixões ou aterros irregulares, essa pode não ser uma realidade tão distante. Frente a isso, é inegável a necessidade de ações efetivas dos órgãos competentes em relação a coletas e descarte adequado dos resíduos.
Diante do exposto, é notória a influência da sociedade capitalista na produção absurda de lixo e a má gestão do mesmo como problemas brasileiros. Logo, urge que as Secretarias de Meio Ambiente em parceria com a comunidade, incentive as cooperativas, através da destinação de recursos financeiros para o pagamento dos associados, além da implantação de pontos de coleta seletiva para o recolhimento dos resíduos, a fim de reaproveitar e reciclar o lixo e poupar os recursos naturais. Destarte, é fundamental que o Ministério do Meio Ambiente junto com as mídias sociais incentivem o consumo consciente, através da promoção de campanhas publicitárias que deixem explícitas as consequências caso o modo de adquirir do brasileiro não mude, a fim de diminuir a produção de dejetos.