O lixo e a sociedade de consumo no Brasil

Enviada em 25/10/2019

Zygmunt Bauman, importante sociólogo polonês, ao pronunciar a frase, “consumo, logo existo”, demonstrou que, na sociedade pós-moderna, a condição indispensável à vida, é o consumo. Paralelamente, no panorama brasileiro atual, observam-se desafios para gerir o direcionamento do lixo proveniente de todo esse modelo de consumo. Esse cenário antagônico, é refletido ora na alienação sobre o dispêndio, ora na má gestão dos resíduos orgânicos e inorgânicos. Diante disso, torna-se fundamental a discussão desses aspectos a fim do pleno funcionamento da sociedade.

Em primeiro lugar, é importante ressaltar que, a partir da mecanização da produção, o estímulo ao consumo tornou-se um fator primordial para a manutenção do sistema capitalista. Assim, de acordo com o filósofo Karl Marx, para que  esse incentivo ocorresse, criou-se o fetiche sobre a mercadoria: constrói-se a ilusão de que a felicidade seria encontrada a partir da compra de um produto. Dessa forma, a alienação perante esse processo, contribui para a sustentação do consumismo, corroborado pela necessidade de sentir-se parte de um todo e comprovar a própria existência, como apontado por Bauman, através do debate sobre consumismo.

Além disso, presencia-se intensa falta de capacidade, por parte do Estado, em gerir o descarte adequado do lixo produzido, principalmente na zona urbana. Outrossim, segundo um relatório publicado pelo Fundo Mundial para a Natureza, o Brasil é o quarto maior produtor de lixo plástico no mundo, com 11,3 milhões de toneladas, ficando atrás apenas dos Estados Unidos, China e Índia. Lê-se, portanto, como nociva, a percepção de que em um país de dimensões continentais e imensurável riqueza natural, o governo negligencie o papel do lixo na poluição do meio ambiente, principalmente dos cursos d’água, principal destino final dos resíduos urbanos.

Portanto, é mister que o Estado tome providências para amenizar o quadro hodierno. Para a conscientização da população brasileira acerca do problema, urge que, o governo federal crie, em conjunto com os veículos de comunicação, campanhas que promovam a efetivação da coleta seletiva e a reflexão sobre o consumo exacerbado, visando assegurar um retrato mais sustentável. Quiçá, assim, o descarte do lixo no Brasil, bem como a redução do consumismo, tornar-se-á um hábito na vida do brasileiro pós-moderno, em contrapartida ao exposto por Bauman.