O lixo e a sociedade de consumo no Brasil

Enviada em 28/10/2019

No filme “Wall-E”, observa-se um futuro em que o mundo está soterrado em lixo, tornando-o inabitável. Por consequência, a população mundial é forçada a sair do planeta e morar em uma espaçonave. Mas, fora do contexto ficcional, essa realidade está cada vez mais próxima. Diante disso, é válido ressaltar a origem do consumismo exacerbado e como o Brasil pode contornar essa problemática.

Antes de tudo, é pertinente apontar que o capitalismo é um dos motivos pela aquisição e o descarte exacerbado de produtos. De fato, uma das bases desse processo originou-se por meio da Revolução Industrial. Esse evento, por sua vez, trouxe mais produtividade, transportes e técnicas de vendas em massa. Nesse sentido, além de uma maior quantidade de mercadorias produzidas, facilitou-se a forma de como são adquiridas. Além disso, já no século XXI, devido aos avanços tecnológicos, novos itens são desenvolvidos, deixando os anteriores obsoletos, e como resultado há um descarte exacerbado desses. Infelizmente, o Brasil não acompanhou a quantidade de resíduos que são jogados no lixo, os quais formam lixões a céu aberto.

Por outro lado, mudanças na forma com que o brasileiro trata o lixo deve vir por intermédio de uma mentalidade diferente e artigos mais sustentáveis. Por isso, medidas feitas por algumas cidades como São Paulo, as quais proibiram o uso de canudos plásticos pode ajudar a diminuir esse material em circulação, porém ainda não é o suficiente. Para corroborar essa solução, como aponta o Jornal da USP, pesquisadores desenvolveram uma embalagem biodegradável feita com matéria-prima de origem vegetal. Sob a mesma ótica, com a conscientização da população com o uso dos 5 R’s (reutilizar, reciclar, recusar, reduzir e repensar), um consumo mais inteligente pode ser alcançado. Desse modo, com o uso de materiais degradáveis pelo meio ambiente e com uma mudança na mentalidade do brasileiro, o país poderá tornar-se um exemplo referente aos cuidados ambientais.

É evidente, portanto, a necessidade da atenuação dos impactos negativos que decorrem da sociedade do consumo. Assim, é preciso, como aponta o filósofo Ame Naess, “pensar como uma montanha”, isto é pensar em uma necessidade a longo prazo do meio ambiente como um todo. Dessa forma, o Ministério do meio Ambiente, juntamente com o Ministério da Educação, deve promover palestras em escolas públicas. Essas, serão ministradas por geógrafos e pesquisadores que trabalham diretamente com o tema ambiental, com o objetivo de ensinar e orientar o futuro do país – crianças e adolescentes – a diminuir o consumo ou até recusar produtos que agridem o planeta. Desse modo, um futuro próspero e sustentável pode sobressair-se no lugar do distópico filme “Wall-E”.