O lixo e a sociedade de consumo no Brasil
Enviada em 29/10/2019
No filme “Amor por contrato” uma empresa faz um acordo com um homem e uma mulher para que eles finjam ser um casal feliz e usem as roupas e objetos que ela determina. Dessa forma, as pessoas que observam esse suposto casal, passam a associar a felicidade deles a essas roupas e a esses objetos, comprando-os posteriormente. Fora das telinhas, induções à prática do consumo, ainda que ocorram de outra maneira, também são frequentes. Além disso, também há, por parte de algumas pessoas, uma ligação do ato citado com a sensação de bem-estar, o que gera o desejo de fazê-lo em momentos de insatisfação. Isso é prejudicial, uma vez que todo esse consumo gera uma quantidade muito grande de lixo que, quando não tem o destino correto, provoca a poluição dos solos, das águas superficiais e subterrânes e da atmostefa.
Inicialmente, vale salientar que os seres humanos estão constantemente sendo influenciados ao consumo, seja por meio de programas de televisão, de vídeos da internet, de programas de rádio ou de outdoors. Ademais, a aquisição de produtos é também tratada por alguns como uma forma de suprir dificuldades emocionas, de modo que, segundo o sociólogo Zigmunt Bauman, esse fator é um potencial causador de uma compulsão pelo consumo. Dessa maneira, cada vez mais compras vão parar na casa desses seres e, consequentemente, na lixeira mais próxima depois que não possuem mais utilidadade, promovendo um crescente aumento da quantidade de lixo.
Em adição, vale ressaltar também que, de acordo com o doutor em Química pela Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP), Pedro Fadini, “76% do material descartado é abandonado em local impróprio”, o que, conforme completou Fadini, é responsável pela liberação de uma mistura de gases na atmosfera que não só podem causar lesões irreversíveis ou mesmo serem letais, como também contribuem com o efeito estufa. Além disso, como o lixo libera chorume, quando ele não está em um local preparado para recebê-lo o solo e a água localizados em seu entorno serão poluídos pelo líquido. Sendo assim, é essencial que o Ministério do Meio Ambiente construa, através de recursos obtidos com os impostos pagos ao Governo pela população, novos aterros sanitários, que são locais adequados para a destinação da maior parte dos tipos de lixo, a fim de evitar a poluição dos solos, das águas e da atmosfera. Por fim, é preciso que as escolas alertem aos estudantes sobre os constantes estímulos que recebem de diferentes meios para práticar o consumo, a fim de que passem a reconhecê-los e diminuam a influência deles em suas vidas.