O lixo e a sociedade de consumo no Brasil

Enviada em 31/10/2019

No filme “Wall-e”, a população vive em uma nave gigantesca na galáxia, visto que a enorme quantidade de lixo acumulado no planeta Terra, impede a vida dos seres vivos. Também, há a presença de robôs para concluírem a limpeza total do globo, que demora várias décadas. Fora da ficção, a ausência de preocupação da sociedade brasileira em adotar medidas conscientes de consumo e de reciclagem do lixo, contribui para a perpetuação dessa problemática no âmbito nacional, seja pela falta de medidas ambientais do Estado, seja pela inexistência da educação ambiental nas escolas.

A fim de compreender melhor esse assunto, é lícito referenciar o conceito de “Instituição Zumbi” do sociólogo Zygmunt Bauman. Segundo ele, certas instituições não exercem suas devidas funções, mas mantém as suas formas, ou seja, são “mortas vivas”. Logo, é notório a falha funcional do Estado em cumprir o artigo 225 da Constituição Federal, no qual todo cidadão tem o direito a um ambiente ecológico equilibrado, bem como é dever do poder público preservá-lo. Apesar da coleta de lixo oferecido pelos caminhões das prefeituras, o material recolhido não é totalmente reciclado, uma vez que a falta de aterros sanitários para a decomposição adequada de resíduos sólidos, contribui para o acumulo de lixo nos “lixões” a céu aberto. Por conseguinte, a excessiva aglomeração desse entulho gera o chorume, que atinge principalmente os lençóis freáticos - responsáveis pelo abastecimento dos rios-.

Nesse viés, pode-se mencionar o filósofo Immanuel Kant, que afirmava que “O homem não é nada além daquilo que a educação faz dele”. Desse modo, é necessário o ensino do consumismo sustentável nas escolas públicas, visto que as crianças de hoje serão responsáveis para a preservação futura do meio ambiente. Outrossim, conforme a população mundial cresça de forma aritmética, a quantidade de lixo aumenta de forma geométrica, o que evidencia a necessidade da implementação total da política do 3Rs - Reduzir, reutilizar e reciclar - nos diversos setores da sociedade.

Torna-se evidente, portanto, que os males relacionados ao lixo e ao consumo é de extrema urgência na pauta ambiental do Brasil. Assim, cabe às prefeituras, em parceira com o Ministério do Meio Ambiente, a adoção de uma política da coleta seletiva de acordo com os tipos de material - papel,plástico, vidro e outros - nos municípios dos estados, além de encaminhar  o lixo aos centros de reciclagens da região. Ademais, é de suma importância que o Ministério da Educação, crie uma matéria extra curricular sobre a sustentabilidade no ensino fundamental e médio da rede pública.

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