O lixo e a sociedade de consumo no Brasil
Enviada em 01/11/2019
É indiscutível que a Revolução Industrial tornou os métodos de produção mais eficientes, pois os produtos passaram a ser produzidos mais rapidamente, barateando o preço e estimulando o consumo. Outrossim, ao longo dos séculos, a evolução das mídias de propaganda intensificou o processo de consumir, o que levou os indivíduos a se transformar em consumista. Com isso, a espetacularização midiática de produtos e a prioridade da quantidade ao invés da qualidade, possibilitou o aumento do consumo e, consequentemente, do volume de lixo produzido no Brasil, gerando problemas socioeconômicos no país, como por exemplo, a poluição, a proliferação de doenças e outras situações.
A priori, segunda a perspectiva do escritor francês Guy Debord, a espetacularização midiática aborda valores da sociedade, define o comportamento do indivíduo e por meio das exibições, podem mudar as relações interpessoais. Esses espetáculos seriam como um ópio de efeitos negativos, deixando os telespectadores mais vulneráveis, já que são meros observadores de tudo o que ocorre na mídia, sendo que esta última estaria alienando as pessoas e minimizando as suas capacidades de imaginar e criar. Sob esse viés, a propaganda é a exibição de produtos com a finalidade de convencer a sociedade a consumir cada vez mais, possibilitando o aumento do volume de lixo, visto que são poucos os investimentos em coleta seletiva para possibilitar a reciclagem. Por conseguinte, a população enfrentará maiores problemas, como o aumento da poluição e das doenças na nação.
A posteriori, segundo o pensamento sociológico de George Ritzer, a McDonaldização é definida como o processo através do qual os princípios básicos dos fast food’s agora dominam cada vez mais setores da nossa sociedade, possuindo 4 conceitos: eficiência, previsibilidade, controle e calculabilidade, tendo destaque este último, o qual prioriza a quantidade ao invés da qualidade. Sob essa ótica, é evidente que o intenso consumo se enquadra em um dos fundamentos propostos pelo sociólogo, já que a sociedade capitalista prefere dar ênfase em uma produção maior, que visa cada vez mais o lucro. Destarte, quanto mais quantidade de produtos, fomentará maior consumo e, portanto, mais lixo no país.
Em síntese, é indubitável que as propagandas e o interesse em ter quantidade ao invés de qualidade, possibilita o aumento de lixo no país. Diante desse exposto, urge que o Governo adote medidas para alertar as pessoas sobre as consequências do intenso consumo, além de investir em métodos que reduzam o volume de lixo, por meio de propagandas conscientizadoras e da adoção de coletas seletivas, a fim de economizar recursos naturais e fornecer um ambiente livre de doenças e poluição. Dessa forma, a sociedade irá consumir menos e passará a cuidar mais do local onde vivem, garantindo uma vida digna para todos.